UOL Notícias Especial de Trânsito
 

Blog do Especial de Trânsito

Cinco pessoas, cinco dias sem carro

27/09/2008

O último dia em Los Angeles

Antes de mais nada, uma correção. Em um dos meus primeiros posts aqui em Los Angeles, escrevi que uma alternativa à passagem normal de US$ 1,25 seria o "Day Pass", que dura pelo período de 24 horas, a partir das 10h. Só que o valor que passei está defasado: são US$ 5 e não US$ 3, como havia escrito.

 

Dei-me conta disso hoje, quando peguei o 212 na volta de Sta Monica Boulevard com La Brea, onde fui comprar um presente para o meu filho - depois de passar a manhã inteira em um estúdio de maquiagem e efeitos especiais de Henry Berger (Oscar por "As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian"). Depois de depositar três dólares na máquina, ela avisou delicadamente que faltavam mais dois dólares.

 

A sinalizaçãoAliás, isso vale um parêntese rápido. Em geral, em Los Angeles - e nas grandes cidades dos Estados Unidos - o ofício de motorista de ônibus é exercido por muitas mulheres. E posso testemunhar que, ao contrário do preconceituoso senso comum, elas são ótimas condutoras, além de levarem a sério o trabalho. Fazer piada ou gracinha com essas senhoras é altamente contra-indicado.

 

Essa que cobrou os dois dólares a mais pelo "Day Pass" foi uma das poucas que me recebeu no seu local de trabalho com um sorriso. "Como vai o senhor, hoje?", perguntou ela. Fiquei tão surpreso com a gentileza que entreguei o dinheiro para ela. Ao que ela me respondeu, com uma piadinha: "Na máquina, por favor; eu não toco em dinheiro, baby".

 

Depois de deixar as coisas no hotel, no fim do dia, voltei ao The Groove, um shopping ao ar livre próximo de Beverly Hills, para assistir ao novo filme de Ed Harris, "Apaloosa", que recebeu (merecidas) boas críticas na imprensa americana. Desta vez, à bordo do 780, que é vermelho, o que indica que faz parte das linhas rápidas. Em pouco mais de dez minutos o coletivo percorreu quase três milhas, mais ou menos uns cinco quilômetros.

 

Los Angeles, essa cidade de 13 milhões de habitantes, dos quais mais de 3 milhões vivem na área metropolitana, consegue ter um sistema de transporte público eficiente - especialmente para a camada da população que o usa mais freqüentemente. Pode-se ir de um extremo ao outro com certa facilidade, mesmo que isso signifique ir até Venice Beach - já fiz esse trajeto. Quando o destino extrapola os limites da área metropolitana, as coisas ficam mais difíceis. Mas não impossíveis.

 

O trajeto de forma claraEmbora a cidade tenha sido planejada para os carros, há uma preocupação em facilitar a vida de quem usa transporte público - especialmente os ônibus, já que a rede subterrânea do metrô é limitada. Há várias empresas operando, os trajetos cobrem grandes áreas e são facilmente compreensíveis - basta dois dias para entender como tudo funciona. Em São Paulo, por exemplo, um estrangeiro precisa de um curso para saber como funciona o transporte público - e isso inclui o Metrô, que tem fama de ser bem estruturado. Falo como usuário - bissexto, com certeza - e não como um especialista.

 

Espero que tenha passado uma idéia de como as coisas funcionam por aqui. E anuncio que como resolução de ano novo vou colocar entre as minhas prioridades deixar o carro em casa. Podem cobrar.

 

(Escrito no fim de uma semana muito corrida e de muito trabalho, que incluiu momentos bem divertidos, como uma visita à Pixar e o contato com um dos mais competentes especialistas em maquiagem e efeitos especiais para cinema.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO
26/09/2008

A pé em Hollywood

Depois da visita à Pixar, nos colocaram em um avião de Oakland para Burbank, numa viagem que durou uma hora e meia. Eu e mais dois colegas dividimos um táxi até o hotel, na mesma North Highland, onde eu havia sido hospedado no início da viagem. Foi meia hora de trânsito e um congestionamento que começou no Hollywood Bowl e parecia não parar nunca mais. Um dos ocupantes do carro (um americano que vive na cidade) estranhou, já que não havia nenhuma apresentação digna de nota na famosa acústica de Los Angeles.

Chegamos às 20h. Após o check in, instalar-me no quarto e dar uma olhada no UOL, resolvi ir ao cinema - mais uma vez. Chequei o site do Arclight, o mesmo complexo que visitei na terça-feira à noite, e encontrei o que queria: "A Duquesa", com Keira Knightley. Ao descer, perguntei para um funcionário do hotel quanto tempo de caminhada até o cinema, na Sunset com a Vine Street. "São mais ou menos dez quarteirões", disse ele. "Mais ou menos uns 15 minutos de caminhada."


Se vocês bem se lembram, foi o que durou a minha viagem de ônibus até o mesmo local - descendo pela North Highland até a Sunset Boulevard e, depois, seguindo por essa mesma rua até a Vine Street (veja a reprodução na foto). Sem contar o tempo de espera nos dois pontos. No total foram mais ou menos 25 minutos. À guisa de maior segurança, perguntei ao mesmo funcionário o que ele achava melhor: fazer o mesmo caminho dos dois ônibus ou ir por outro? "Melhor ir pelo Hollywood Boulevard até a Vine Street e descer até a Sunset", respondeu ele.


Faz sentido, já que a Sunset, que antigamente era território de cafetões, prostitutas e gangues, não conseguiu apagar completamente sua má fama - especialmente durante à noite. Não que Hollywood Boulevard, onde ficam algumas casas noturnas, restaurantes, o Egyptian Theater e a sede da Cientologia, seja muito melhor. Mas há mais gente na rua e o policiamento é ostensivo. Só para constar, na minha caminhada ao longo da via, entre a ida e a volta, contei três viaturas diferentes e uma moto do LAPD fazendo ronda - uma das equipes, aliás, havia detido um homem para averiguação, próximo da entrada de uma casa noturna.


Dez quarteirões em São Paulo são muito diferentes de dez quarteirões em Los Angeles, onde os blocos são como retângulos, extensos na largura e curtos nas extremidades. O Google Maps calcula o caminho que fiz em 1,1 milha ou 1,7 quilômetro. E dá como tempo para percorrer à pé esse trajeto 22 minutos. Na ida, talvez preocupado em não perder o horário da sessão, às 22h05, demorei 20 minutos para chegar. Fui despreocupado, já que ainda estava cedo e ainda havia muitos turistas e famílias passeando na rua cravejada de estrelas com nomes de personalidades do cinema como o diretor inglês Dick Powell, a atriz Jane Russell, o mago da animação Walt Disney.


Depois de assistir ao filme, que é muito bom e está no Festival do Rio e estará também na Mostra de São Paulo, chequei a hora - 23h - e por um momento quase cedi à tentação de pegar um táxi. Mas a minha consciência, já baleada por uma entrada em cena meio claudicante e por comentários rabugentos sobre os meus posts, resolvi respirara fundo e ir em frente - pelo mesmo caminho, claro, já que não sou nenhum aventureiro.


Essa volta foi um pouco mais tensa, tanto pelo adiantado da hora, como pela freqüência das ruas quanto pela movimentação dos policiais. A subida pela Vine, nem tanto. Mas a Hollywood Boulevard exigia um pouco mais de atenção - o que para alguém que vive em São Paulo, convenhamos, não é nada. Havia filas grandes nas casas noturnas, algumas bem barulhentas e tomando a calçada inteira. Grupos de "manos" americanos e latinos se juntavam nas esquinas, uns cantando rap e outros com a sofisticação de um teclado ou outro instrumento musical. Os sem teto estavam revirando as latas de lixo. E muitos casais e grupos de amigos estavam se dirigindo para as mesmas casas noturnas de que falei.


(Cheguei no hotel às 23h26, cansado e aliviado. Parei por um minuto na portaria do hotel e logo subi para escrever o post sobre a Pixar e pensar nesse que acabo de escrever.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO

Duas ou três coisas legais sobre a Pixar

Há duas outrês coisas legais sobre a Pixar que valem a pena ser escritas aqui neste blog do Especial de Trânsito. Sediado em Oakland, uma cidade da Califórnia que fica a uma hora e meia de avião de Los Angeles, o estúdio de John Lasseter que revolucionou a animação digital com filmes como Toy Story 1 e 2, "Monstros S.A.", "Carros" e "Os Incríveis" adota uma política de trabalho muito interessante.

O ambiente, um prédio que se parece muito com um grande armazém, tem um grande lobby cheio de resturantes, cafés, uma sala de jogos e até uma lojinha onde se podem comprar bugingangas com o selo da casa. Nesse mesmo ambiente, há várias mesas e salas de estar que podem ser ocupadas a qualquer momento por funcionários ou visitantes. Adrienne Ranft, funcionária do estúdio, explica que a empresa estimula o contato humano - nada de memorandos, e-mails ou ferramentas de comunicação online. O que vale, ali, é o olho no olho.

Como o local é grande, os funcionários podem usar bicicletas ou patinetes para ir de um lugar ao outro - a construção é amigável para esse tipo de transporte. De fato, enquanto estava esperando por uma entrevista com Guilherme Jacinto, animador brasileiro que trabalhou em "Wall-E" e hoje está no projeto de "Up", primeira animação em 3D do estúdio, uma funcionária apareceu no lobby à bordo de um patinete para pegar o almoço em um dos restaurantes.

Adrienne contou também que no prédio há uma sala de massagens e uma pequena academia. Nas áreas comuns, fora do prédio, muito verde, uma piscina e um campo de... futebol - sim, os funcionários podem usar o tempo livre para nadar ou jogar bola. "Na semana passada, alguns visitantes estavam aqui quando, por acaso, havia um jogo de futebol acontecendo e muitos funcionários estavam usando a piscina", contou ela. "Um desses convidados me perguntou se em algum momento se trabalhava por aqui!" Estimular os funcionários dessa forma também está entre as condições necessárias para que se crie uma política ambiental consistente.

(Escrito depois de andar dez quarteirões do hotel onde estou, em North Hollywood com Hollywood Boulevard, até o cinema, o mesmo Arclight onde fui de ônibus na terça-feira, na Sunset Boulevard com a Vine Street. Foram 15 minutos para ir - às 21h - e 20 para voltar - às 23h. Mas isso eu conto amanhã)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO

Cineminha em Hollywood, de ônibus

Passei quase um dia inteiro sem postar, mas foi por uma boa razão: por causa da agenda apertada, não tive tempo de "não usar o carro". Passei um dia inteiro internado no Kodak Theater (aquele dos Oscar), assistindo a uma apresentação da Disney - confira em UOL Cinema ou UOL Jovem! - e depois me enfiaram em um avião para Oakland, onde estou agora, para uma visita à Pixar.

A não ser uma única vez, na terça à noite, quando fui assistir a "Ghost Town", comédia romântica americana estrelada pelo comediante britânico Ricky Gervais, no Arclight, um multiplex que fica no Hollywood Boulevard com a Vine Street, a uma milha do meu hotel, localizado em North Highland. São 21 minutos a pé, segundo o Google Maps. Ou dois ônibus para ir e mais dois para voltar. A passagem de ônibus aqui custa U$ 1,25 e dura o tempo de uma viagem. Ou seja, ida e volta custaria US$ 5. Nesse caso, a melhor opção é o Day Pass, que custa US$ 3 e dura das 10h da manhã do dia até às 10h da manhã do dia seguinte. Detalhe, tem que estar com a grana contada, pois não há troco nem restituição.

Assim, peguei o 268 na esquina da North Highland com Hollywood Boulevard desci no ponto da esquina com a Sunset Boulevard e segui em direção à Vine Street no 181. Em geral, os pontos são funcionais e trazem bastante informação para o passageiro - rota, freqüência e outras coisas. Como a maior parte dos usuários vem das classes pouco favorecidas e é oriundo de minorias étnicas - os latinos liderando -, quase tudo, inclusive propagandas, está escrito ou indicado em duas línguas.

Por ser noite, não consegui tirar fotos decentes. Mas tentarei fazer isso na luz do dia, assim que tiver tempo livre - com as provas cabais (as passagens) de que peguei ônibus. Foram 15 minutos, excluindo a espera, de viagem. Na volta, a freqüência diminui bastante, mas os coletivos aparecem sim. É seguro, mas não custa nada ficar de olhos bem abertos.

A propósito, "Ghost Town" é mediano. O Ricky Gervais, que criou o seriado "The Office", depois adaptado para o público americano, faz o papel de um dentista completamente fechado, um cara cheio de manias que não gosta muito de gente. E um dia, depois de quase morrer em uma operação de redução de estômago, passa a ver fantasmas. Um deles, o personagem do comediante X, pede que Gervais ajude a ex-mulher, interpretada por Téa Leoni, a se livrar de um suposto aproveitador. O resto, como você pode bem perceber, é muito previsível.

(Escrito entre ume entrevista e outra na Pixar, em Oakland, onde falei com o pessoal que trabalhou em "Wall-E")

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO
24/09/2008

Tráfego até dentro dos aeroportos americanos

Dez horas e alguns minutos depois de decolar do Brasil, aterrissei em Dallas, um dos "hubs" do sistema aeroportuário norte-americano. O que isso significa? Que o aeroporto dessa cidade industrial americana, onde John Kennedy foi assassinado em 1963, recebe boa parte dos vôos vindos de fora e os redistribui internamente. Além disso, quem vem de outros países, como é o meu caso, tem que passar pela imigração aqui. E esse pode ser um problemaço.

O vôo de conexão para Los Angeles estava marcado para às 7h20, horário local. Chegamos na imigração às 6h40 e encontramos os passageiros de mais dois vôos oriundos da América Latina, um do Chile e outro da Argentina. A fila serpenteava por quase um quilômetro dentro da sala. E éramos os últimos nesse grande congestionamento humano controlado por funcionárias da imigração e aliviado aos poucos pelo trabalho dos agentes do departamento.

Depois de passar pela imigração, pegar a bagagem, passar pela alfândega e entregar a mala novamente para o funcionário da companhia aérea reembarcá-la no avião que me levaria para Los Angeles, segui para o portão indicado nos monitores. Passava de 8h e era necessário ainda pegar o Skyline, nome do trem que leva os passageiros de um terminal para o outro. Como se não bastasse tudo isso, havia outro porém: para sair do terminal D e chegar ao C, teria que passar pelo E, A e B. Ou seja, mais atraso.

Quando cheguei ao portão C37 indicado nos telões do aeroporto, não havia mais ninguém. No balcão mais próximo, uma funcionária que me perguntou por que eu havia chegado atrasado, ao que respondi educadamente ter sido um atraso causado pela fila na imigração. Já haviam me colocado no vôo seguinte, que saía às 8h40. Mas a graça de tudo é que o terminal para o qual eu deveria me dirigir era o... Sim, o D, de onde havia acabado de chegar. Com algum tempo de sobra, fiz o caminho de volta, feliz por saber que não perderia mais nenhum embarque. Cheguei alguns minutos antes de fecharem a porta.

Como meu destino final é Los Angeles, ter Dallas como primeira parada não é tão complicado assim. A conexão para L.A. dura apenas três horas e quinze minutos. Mas ganha-se duas horas por causa do fuso horário. Ou seja, saí às 8h40 e cheguei às 9h55. Minha bagagem havia chegado antes de mim e de outras pessoas que estavam no mesmo vôo que eu e que também haviam perdido a conexão. Enfim, 18 horas depois, eu cheguei a Los Angeles.

O LAX fica bem longe da área metropolitana de Los Angeles. São cerca de 50 minutos por meio de uma "freeway". Dependendo do horário, essa quase uma hora pode virar até duas. Os congestionamentos nas rodovias logo cedo e no fim da tarde são comuns por conta do trânsito formado por quem vem das "cidades-dormitório" localizadas em outros condados. Um táxi, nessas condições, pode sair por um preço bem salgado - os US$ 40 pagos em condições normais viram facilmente US$ 60 ou até o dobro nos horários de pico.

A melhor opção para quem chega de viagem são as vans ou "shuttle services", que funcionam como as nossas lotações. Há vários pontos espalhados nos quatro terminais do aeroporto e os carros dessas empresas recolhem os passageiros que vão para áreas comuns. Paga-se uma tarifa fixa, que varia de acordo com a localização do hotel. No meu caso, fui hospedado no Renaissance North Hollywood (em um quarto com vista para o letreiro de Hollywood). Paguei US$ 16 pela corrida. Nada mal para começar o dia em um país estrangeiro.

(Escrito após 18 horas de vôo, muitos atrasos, trânsito de carros e de pessoas.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO
23/09/2008

No meio do caminho

Na Semana sem Carro, a adesão de uma parte dos motoristas paulistanos ao movimento me salvou de perder o avião para os Estados Unidos, onde ficarei cinco dias em Los Angeles, a convite dos estúdios Disney e da Pixar. Vou contar como aconteceu. O leitor deve se lembrar da minha primeira participação um tanto apressada aqui no blog. Depois de entregar aquela quase confissão de culpa para o Irineu, que também participa dessa experiência blogueira do Especial de Trânsito, e de resolver assuntos de UOL Cinema com o pessoal da área de interface do portal, peguei o meu carro e segui na direção de Moema. A intenção era deixar o veículo na garagem do edifício onde mora a minha mãe, pegar um táxi para o aeroporto de Congonhas e, de lá, ir de ônibus para o aeroporto de Cumbica. O serviço é de primeira e custa apenas R$ 27,00 por pessoa. Muito mais em conta do que os R$ 81,80 que acabei gastando com um táxi - fora a dor de cabeça que vou relatar a seguir.


Por uma série de razões que não vale a pena revelar aqui todo o meu planejamento furou e saí da sede do UOL atrasado. Com isso, ficaria impossível deixar o carro na minha mãe e chegar ao aeroporto de Congonhas a tempo de pegar o ônibus das 18h ou das 18h30 - sim, há saídas de meia em meia hora. Por isso, tive que improvisar com o boleto de táxi da empresa. Antes de descer para a garagem, pedi o táxi para às 18h20, que nos meus cálculos mais otimistas seria o momento em que estaria à postos na portaria do prédio, em Moema. Claro que cheguei atrasado, mas também contava com isso e com o atraso do taxista também. Quando imaginava que estava tudo resolvido, recebi mais um sinal de que o meu primeiro dia sem carro parecia conspirar contra mim. Às 18h40, o motorista do táxi ligou perguntando em que condomínio eu estaria esperando. Sem perceber completamente a confusão, informei o nome do prédio e disse a ele que não se preocupasse. "Estou descendo", disse. Quando finalmente, de mala e bagagem, apareci na portaria, descobri que estávamos em locais diferentes, eu e o carro que deveria me pegar.


Para encurtar a história, basta dizer que o motorista foi enviado para um endereço homônimo em Alphaville. E o substituto deste último encostou na porta do prëdio onde eu o esperava, em Moema, às 19h18 - o vôo estava marcado para decolar às 21h35. De Moema até Cumbica, há duas opções: pela Bandeirantes, seguindo pela marginal Pinheiros e depois a Tietê. Ou seguir pelo centro, através da avenida 23 de maio, que em condições normais de temperatura, tráfego e pressão seria o caminho mais curto. Foi o que fizemos e, segundo o motorista, tivemos "uma sortinha" (sic) de não pegar trânsito no acesso à avenida pela Nhambiqüaras. "Aqui costuma ficar bem parado", completou. Na verdade, trânsito mesmo, nesse trecho, só enfrentamos antes do acesso à Radial Leste. Depois, mais uns três ou quatro quilômetros de lentidão até a bifurcação em que a via expressa se divide entre a direção da Dutra e da Ayrton Senna (antiga Trabalhadores). Encostamos no terminal de embarque às 20h02, apenas uma hora e meia antes da partida, o que na etiqueta do viajante experiente é uma falta grave.


Tudo isso para dizer que, apesar da confusão e do stress causado pelos atrasos e desencontros, não peguei nenhuma fila para o check in, passei na livraria para comprar algumas revistas, tomei um café tranqüilamente antes de passa pela alfândega e cheguei à sala de espera lotada poucos minutos antes do embarque. Mesmo assim, o vôo só decolou 40 minutos depois do horário. Ou seja, não basta dispensar o carro, é preciso ser organizado.


(Escrito à bordo de um Boeing 767, depois de jantar picadinho e durante a sessão de "O Amor Não tem Regras", com George Clooney e Renée Zellwegger, um filme tão ruim que foi lançado direto em DVD no Brasil)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO
22/09/2008

Confesso que trapaceei...

Como diria Arnaldo Cesar Coelho, as regras de participação no blog deste especial eram claras, mas confesso que trapaceei no meu primeiro dia. Hoje, ainda vou "postar" de São Paulo, onde vim para o trabalho de carro e com a bagagem que levarei para a minha viagem a Los Angeles. Só quando chegar lá, para onde vou a convite dos estúdios Disney e suas associadas, empreenderei a experiência de viver sem carro durante uma semana. E vocês vão acompanhar como é depender de transporte público numa vasta cidade de cerca de 3.957.875 habitantes, com aproximadamente 13 milhões de habitantes na região metropolitana.

Esse primeiro post, assim, meio apressado, é para dizer apenas algumas coisinhas. Primeiro, que o texto da minha descrição é verdadeiro. Sou tão viciado em carro que se existissem clínicas de reabilitação específicas, eu seria um caso exemplar - uma espécie de Robert Downey Jr. automotivo. Quando fico sem transporte próprio, passo mal, suo frio e tenho visões só de pensar em sair de casa e andar ou pegar um ônibus. Só saio se vieram me buscar ou se for extremamente necessário. Caso contrário, viro ermitão.
 
Mas como vou viajar e não posso levar o carro no bolso, só me resta caminhar e usar o transporte público de uma das maiores cidades do mundo. Muita gente deve estar pensando por que não faço o mesmo aqui, já que São Paulo também está entre as maiores metrópoles do planeta. Explico.

São Paulo é um pouco menor do que Los Angeles, mas  cresceu desordenadamente, tem um trânsito caótico e o transporte público não é dos mais eficientes. A cidade americana, por sua vez, é vasta - as distâncias entre os lugares são enormes. Para ir de um lugar ao outro, só de carro - a cidade foi construída para eles - ou de táxi - ao contrário do que possam dizer, custa caro, muito caro. Sobra o transporte público, os ônibus principalmente, usados pela camada pobre da população americana e as minorias étnicas. É barato (vocês saberão exatamente quanto), prático e deixa os passageiros em qualquer ponto da cidade. O melhor de tudo é que não tem que quebrar muito a cabeça, nem fazer tantas perguntas no ponto de ônibus. E eles chegam na hora.

No próximo post, daqui umas quinze horas, vocês saberão mais. Agora, tenho que ir, senão perco o avião.

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

comunicar erro COMUNICAR ERRO
A idéia

Na semana em que é comemorado o Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro), uma equipe de jornalistas do UOL que costuma usar carro diariamente abrirá mão de seus veículos para observar e comparar as vantagens e desvantagens de viver no dia-a-dia usando transporte coletivo, bicicleta ou outros meios alternativos para se locomover. Diariamente, até sexta-feira, as impressões dos cinco jornalistas serão publicadas neste blog.

Gabriela Sylos Gabriela Sylos
Zona oeste, Pompéia
Saiba mais
Irineu Machado Irineu Machado
Zona sul, Vila Mariana
Saiba mais
Pedro Cirne Pedro Cirne
Zona oeste, Perdizes
Saiba mais
Thays Almendra Thays Almendra
Zona leste, Tatuapé
Saiba mais
Alessandro Giannini Alessandro Giannini
Los Angeles, EUA
Saiba mais

íconeParticipe você também! Conte seu trajeto no trânsito da sua cidade!

Regras de uso

Busca
Neste blog Na Web

Histórico