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Blog do Especial de Trânsito

Cinco pessoas, cinco dias sem carro

27/09/2008

O último dia em Los Angeles

Antes de mais nada, uma correção. Em um dos meus primeiros posts aqui em Los Angeles, escrevi que uma alternativa à passagem normal de US$ 1,25 seria o "Day Pass", que dura pelo período de 24 horas, a partir das 10h. Só que o valor que passei está defasado: são US$ 5 e não US$ 3, como havia escrito.

 

Dei-me conta disso hoje, quando peguei o 212 na volta de Sta Monica Boulevard com La Brea, onde fui comprar um presente para o meu filho - depois de passar a manhã inteira em um estúdio de maquiagem e efeitos especiais de Henry Berger (Oscar por "As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian"). Depois de depositar três dólares na máquina, ela avisou delicadamente que faltavam mais dois dólares.

 

A sinalizaçãoAliás, isso vale um parêntese rápido. Em geral, em Los Angeles - e nas grandes cidades dos Estados Unidos - o ofício de motorista de ônibus é exercido por muitas mulheres. E posso testemunhar que, ao contrário do preconceituoso senso comum, elas são ótimas condutoras, além de levarem a sério o trabalho. Fazer piada ou gracinha com essas senhoras é altamente contra-indicado.

 

Essa que cobrou os dois dólares a mais pelo "Day Pass" foi uma das poucas que me recebeu no seu local de trabalho com um sorriso. "Como vai o senhor, hoje?", perguntou ela. Fiquei tão surpreso com a gentileza que entreguei o dinheiro para ela. Ao que ela me respondeu, com uma piadinha: "Na máquina, por favor; eu não toco em dinheiro, baby".

 

Depois de deixar as coisas no hotel, no fim do dia, voltei ao The Groove, um shopping ao ar livre próximo de Beverly Hills, para assistir ao novo filme de Ed Harris, "Apaloosa", que recebeu (merecidas) boas críticas na imprensa americana. Desta vez, à bordo do 780, que é vermelho, o que indica que faz parte das linhas rápidas. Em pouco mais de dez minutos o coletivo percorreu quase três milhas, mais ou menos uns cinco quilômetros.

 

Los Angeles, essa cidade de 13 milhões de habitantes, dos quais mais de 3 milhões vivem na área metropolitana, consegue ter um sistema de transporte público eficiente - especialmente para a camada da população que o usa mais freqüentemente. Pode-se ir de um extremo ao outro com certa facilidade, mesmo que isso signifique ir até Venice Beach - já fiz esse trajeto. Quando o destino extrapola os limites da área metropolitana, as coisas ficam mais difíceis. Mas não impossíveis.

 

O trajeto de forma claraEmbora a cidade tenha sido planejada para os carros, há uma preocupação em facilitar a vida de quem usa transporte público - especialmente os ônibus, já que a rede subterrânea do metrô é limitada. Há várias empresas operando, os trajetos cobrem grandes áreas e são facilmente compreensíveis - basta dois dias para entender como tudo funciona. Em São Paulo, por exemplo, um estrangeiro precisa de um curso para saber como funciona o transporte público - e isso inclui o Metrô, que tem fama de ser bem estruturado. Falo como usuário - bissexto, com certeza - e não como um especialista.

 

Espero que tenha passado uma idéia de como as coisas funcionam por aqui. E anuncio que como resolução de ano novo vou colocar entre as minhas prioridades deixar o carro em casa. Podem cobrar.

 

(Escrito no fim de uma semana muito corrida e de muito trabalho, que incluiu momentos bem divertidos, como uma visita à Pixar e o contato com um dos mais competentes especialistas em maquiagem e efeitos especiais para cinema.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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26/09/2008

O último dia foi o pior, mas decidi adotar o transporte coletivo

No último dos cinco dias dessa experiência sem carro resolvi fazer mais um teste: evitar o metrô e tentar chegar ao trabalho só de ônibus (dica da Cíntia Baio, da equipe do UOL Tecnologia, que viu meus posts anteriores e disse que morando na Vila Mariana é possível ler mais a caminho do trabalho, usando só ônibus). Desde segunda, foi o dia em que saí mais tarde de casa: 11h43. A duas quadras de casa, antes da estação Chácara Klabin do metrô, peguei um ônibus da linha Parque do Ibirapuera. No curto trajeto até descer ao ponto da Noé de Azevedo, pude ler quatro dos deliciosos casos da história do futebol narrados por José Macia, o Pepe (um dos meus ídolos da era em que o futebol era mais arte que esporte), no livro "Bombas de Alegria". Desci na Noé de Azevedo, perto da estação Vila Mariana do metrô, e andei até o ponto de ônibus depois da estação. O ponto não tinha nenhuma placa com informação sobre ônibus, mas me informaram que ali paravam ônibus que seguiam pela avenida Paulista, onde eu pegaria outro ônibus rumo a Pinheiros. Distraído, ouvindo música (de novo, o mp3 player, abastecido com a mesma playlist da véspera, 1 hora e 2 minutos de música), olhei para o lado oposto ao de onde viria meu ônibus. O suficiente para perder o ônibus da linha Paraíso. Quando vi, era tarde, ele já estava saindo. Tudo bem, aguardo o ônibus seguinte, com pensamento positivo: não deve demorar muito...

 

Trânsito intenso na Paulista, mas não paradoDemorou. Uns dez minutos. Uma senhora me perguntou se era ali mesmo o ponto para ônibus na Paulista. Eu disse que sim, pelo que me informaram outros passageiros no ponto. Chegou o 875M-Perdizes. Subi, sentei no último banco. Ouvindo música, lendo, o trânsito fluía na Paulista.

 

Em um dos textos do Pepe, "O Bonde que Marcava o Tempo", ele conta que, aos sete anos, jogava bola na Vila Melo, em São Vicente, num campo que chamavam de Areião (morei lá pertinho na minha infância, umas três décadas depois da infância do Pepe, eu jogava bola num campo que chamávamos de Mangueirão-andar de ônibus lendo traz memórias da infância...). Na época do Pepe, ele relata, ninguém usava relógio, e o tempo do jogo era determinado pelas passagens de um bonde: os times trocavam de lado no campo e terminavam o jogo quando passavam os bondes. Dois tempos de meia hora. Uma pontualidade no transporte público que hoje não existe mais...

 

Pedestres na Doutor Arnaldo são mais rápidos que os carrosDesci na parada Frei Caneca, na Paulista, e não precisei esperar: peguei meu terceiro ônibus, o Parque Continental. Só que... erreeeeei... Me confundi com uma dica da Cíntia (mais tarde, ela me disse que o correto para mim seria o ônibus Shopping Continental. Confiei demais na memória e não tomei nota, por isso errei). O ônibus entrou na avenida Doutor Arnaldo, que estava completamente parada. Desci na altura do início da rua Teodoro Sampaio. Fui para o lado oposto e, no ponto de ônibus que não tinha nenhuma informação sobre os ônibus que por ali passavam, esperei algum que fosse pela avenida Rebouças. Parou um, e perguntei ao motorista se algum dos ônibus daquele ponto descia a Rebouças. "Não, aqui nesse ponto, não. Só lá na frente, depois do hospital", me orientou ele. Fui andando até a Rebouças. Vendo a Doutor Arnaldo praticamente parada nos dois sentidos. O relógio-termômetro da rua já marcava 12h45. Já fazia uma hora que eu havia saído de casa. Que dia...

 

Panfletos de candidatos jogados na escada do corredor de ônibus da Rebouças, perto do Hospital das ClínicasNa passarela de acesso ao corredor de ônibus da Rebouças, a menos de dez dias das eleições municipais, muita gente distribuindo panfletos de candidatos. E muita gente jogando os panfletos na escadaria da passarela. Aliás, no caminho desde casa, recebi material de campanha de três candidatos. Na porta do apartamento, um envelope com uma carta, três santinhos e um panfleto de um candidato a vereador do PSDB. Perto do metrô Vila Mariana, um jornalzinho do candidato do PSOL à Prefeitura. Na Rebouças, um panfleto de um candidato a vereador do PSB.

 

Vejamos o que os três dizem sobre transporte público em São Paulo.

 

O primeiro, na carta em que pede meu voto, menciona o tema em uma linha sem nenhuma objetividade: "E preciso rever a questão da mobilidade (o trânsito caótico exige que a cidade repense a sua ocupação)..." 

 

Em seu jornalzinho, o segundo coloca em quarto lugar numa lista de dez propostas para São Paulo, o seguinte: "Mudar a matriz, investindo no transporte de massas sobre trilhos, promovendo o subsídio de tarifas rumo à tarifa-zero e desestimulando o uso do automóvel."

 

O terceiro, em oito páginas de panfleto, se descreve como o "vereador da Educação" e afirma que também tem "uma grande atuação em outras áreas como Transporte, Saúde, Segurança, Habitação, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Combate à Corrupção".

 

Bom, ainda não voto em São Paulo (nunca transferi meu título de eleitor). Se você vota e quer saber o que os candidatos a prefeito de São Paulo pensam sobre o trânsito na cidade, experimente o debate virtual do UOL Eleições.

 

Desci no ponto perto do meu trabalho às 13h em ponto. Uma hora e 17 minutos de trajeto. Muito por minha culpa, pois perdi um ônibus e peguei um ônibus errado.

 

Lições aprendidas, meu balanço desses cinco dias sem carro, no entanto, é positivo. Ganhei tempo em relação ao trajeto de carro nos quatro primeiros dias. Pude ler, o que nunca faço ao volante. Andando pelas ruas e fazendo uso do transporte público proporciona um contato maior com a realidade de uma grande parcela da população, o que considero bastante útil para um jornalista. Em dois dias da semana (quinta e sexta), saí muito tarde do trabalho e tive de recorrer ao táxi (não havia mais metrô em funcionamento).

 

Decidi que vou adotar o transporte coletivo pelo menos três vezes por semana. Espero que o atraso desta sexta não seja freqüente a ponto de me fazer mudar de idéia.

 

Agradeço a todos os internautas por seus comentários e pela leitura deste blog e às dicas preciosas das pessoas que colaboraram com a experiência.

 

Por Irineu Machado, zona sul

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: um balanço

Por cinco dias, não tive carro. De segunda a sexta (hoje), vim trabalhar de bicicleta, acompanhado de meu amigo e tutor Leandro (ontem, Aylan também nos acompanhou). À noite, voltamos juntos - algumas vezes acompanhados de outros voluntariosos ciclistas (João, Mig e Márcia). E a idéia era avaliar como eu me dava com a bicicleta, se valeria a pena encostar meu carro e passar a me locomover de bicicleta.


Ah, a ladeira...Resumindo esses cinco dias em números: pedalei por 55,89 quilômetros, em um total de 4 horas e 12 minutos... Média de velocidade: 13,25 km/h - muito longe de um Lance Armstrong, eu admito, mas velocidade não era uma meta.


(Foram 32 buzinadas, uma média de seis por dia, que não me incomodaram - eu as contei por diversão. Aliás, logo que eu saio de casa, após a primeira curva, tenho a maior subida do percurso. Hoje, enquanto eu pedalava fortemente, me esforçando para não ter que descer e empurrar a bicicleta - embora não haja demérito algum nisso, era apenas uma consquista pessoal -, um senhor que atravessava a rua a pé parou para ver o meu esforço. Quando, lasso e suado, terminei a subida ainda sobre a bicicleta, ele me disse: "Oba! Conseguiu!". Foram duas palavras e um sorriso que fizeram muito mais efeito em mim do que as 32 buzinadas anteriores somadas.)


Quanto às minhas conclusões... Vir de bicicleta, como moro perto do meu trabalho, demora mais do que vir de carro: 30 minutos em média, contra 25 minutos de ônibus (em um dia normal) e 20 minutos de carro (idem). Também cansa mais, especialmente na volta, ladeira acima até Perdizes.


Por outro lado: pedalar é muito mais saudável e divertido. Entre vir de carro ou de bicicleta, colocando à parte o inevitável gosto da novidade que sempre torna mais palatável o inédito ou quase inédito, prefiro vir de bicicleta.


Pedalar também é mais econômico. Uma vez que o capital inicial é investido (bicicleta, capacete, buzina, luz etc), em poucos meses esse dinheiro é alcançado pelas quantias que teriam sido gastas em estacionamentos e gasolina - sem falar em manutenção.


Entretanto... Entretanto nesta semana não choveu, não fui jogar bola (a quadra é longe!) e não tive programação extra (ir ao cinema, sair com a namorada etc.). Então, mesmo após cinco dias, ainda não pus à prova as dificuldades que posso encontrar quando (e se) estiver me locomovendo de bicicleta.


Estou dividido... mas tenho uma impressão e uma certeza.


A impressão que tenho é que vou acabar aderindo ao transporte por bicicleta, mas que preciso testar um pouco mais. Vivenciar mais algumas situações - um pneu furado, uma chuva, essas coisas...


A certeza é que, para mim, valeu muito a pena tentar.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Valeu pela experiência

Nestes cinco dias, percebi algumas coisas. Posso muito bem viver sem carro, por exemplo. Também aproveitei o prazer que as pequenas experiências oferecem, como conversar despretensiosamente com desconhecidos. E conheci partes da cidade na qual eu moro e que eu se quer sabia que existiam.

Como disse no post anterior, gastei por volta de R$ 65. Um valor alto, pois de gasolina gastaria cerca de R$ 45, fora o estacionamento mensal. Devido ao meu percurso, não valeria a pena eu andar de transporte público todos os dias. No total, pegaria ônibus cinco vezes ao dia e o metrô, duas vezes. Isso sem falar que meus horários são extremamente apertados em épocas sem blog do UOL.

Esta semana valeu muito a pena. Talvez quando acabar a faculdade e só tiver de trabalhar, andarei de transporte público.

Nesta minha despedida, quero agradecer todas as ajudas para fazer o melhor trajeto, todos os elogios dos internautas e também as críticas. Agradeço imensamente esta experiência que engrandeceu a minha vida e a minha carreira jornalística. Além disso, gostaria de parabenizar os meus colegas de trabalho pelos textos brilhantes.

Observação: nesta noite, voltarei de ônibus para casa!

Por Thays Almendra, zona leste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: agradecimentos

Esta semana-sem-carro-e-com-bicicleta teria sido outra sem o onipresente Leandro, meu tutor. De segunda a quinta, ele foi até a minha casa me escoltar até o UOL, me dando dicas de todo tipo (motoristas não dão setas; tá na hora de mudar a marcha; coloca um casaco para não passar frio) e, ainda por cima, me escoltando no retorno. É preciso ter muita paciência e muito amor ao hobby para fazer o que ele fez.
Fica aqui, então, meu muito obrigado.


Além disso, foi ele quem me emprestou a bicicleta, o capacete, as luvas e o protetor de canelas, que na verdade não protege diretamente, mas que reflete os faróis dos carros e, portanto, torna meu percurso mais seguro. Fica aqui, então, meu muito obrigado, Leandro - de novo.


Um abraço também ao fotógrafo Flávio Florido, que acompanhou quatro dos cinco blogueiros deste Blog do Especial de Trânsito - Cinco pessoas, cinco dias sem carro para clicar as fotos do álbum de Cinco pessoas, cinco dias sem carro.


Também agradeço aos ciclistas que não me conheciam, mas que me acompanharam, em uma grande demonstração de simpatia, em trechos do meu percurso: João, Mig, Aylons e Márcia. Muito obrigado.


E, claro, obrigado a você internauta, que acompanhou a experiência que meus colegas Gabriela, Thays, Alessandro e Irineu neste blog Blog do Especial de Trânsito - Cinco pessoas, cinco dias sem carro. Muitíssimo obrigado!

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: as cores de um marronzinho

Alguns posts atrás, contei aqui no blog que o operador de tráfego da CET é conhecido aqui em São Paulo como marronzinho. Aproveitei a perguntei a você, internauta, como o operador de tráfego é conhecido em sua cidade (ou Estado) e descobri que há um arco-íris de apelidos para os marronzinhos. Aqui estão os que nomes que vocês, internautas, me ensinaram (sei que ainda há mais nomes a aprender):

- em Recife-PR, eles são os homens de azul, azulzinhos ou periquitos azuis (obrigado, Juliana)
- em Curitiba-PR, são os periquitos, pelo uniforme verde e preto (obrigado, Allan e João Paulo)
- em São Paulo-SP, são os marimbondos (eu nunca tinha ouvido essa... obrigado, Frank)
- em Caçapava-SP, os marronzinhos são... marronzinhos, mesmo (obrigado, Celina)
- em Belo Horizonte-MG, são os chumbinhos (obrigado, Carlos Maciel)
- em Teresina-PI, são os azulzinhos (obrigado, Nilson)
- em Campinas-SP, são os amarelinhos (obrigado, Laura, Gabriel e André)
- em São Carlos-SP, também amarelinhos (obrigado, Rosangela)
- em Cuiabá-MT, também amarelinhos (obrigado, Marcelo)
- em Campo Grande-MS, também amarelinhos (obrigado, Luiz Fernando) - a cor amarelo recebe a medalha de ouro como a mais citada pelos internautas!

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Último dia: primeiro dia acompanhada

Saí da Metodista ao 12h20 e encontrei o Flávio Florido, o editor de fotografia do UOL - assim começou a caminhada até o ponto, que fica a cinco minutos da faculdade.  Encontrei a Ana, uma menina da minha sala com quem converso pouquíssimo. Pois descobri que ela pega o mesmo ônibus que eu, o Metrô Saúde, e que há uma outra linha que vai para o meu destino. Ótimo.

Hoje meu ônibus passou após 15 minutos de espera. Entrei e o Florido começou a fotografar. Uma senhora me disse: "Olha, esse cara está filmando. Como assim?". Eu dei risada e expliquei que ele só tiraria foto de mim. As pessoas ficaram muito desconfiadas com a situação.

A viagem durou cerca de 40 minutos e novamente passei pelo Zoológico de São Paulo – desta vez já tinha me acostumado com o caminho. As árvores pareceram mais verdes do que ontem e também estava mais sol. Jamais perceberia isso se estivesse ao volante. Quase chegando, a Ana nos alertou para que descêssemos em um ponto anterior ao final.


Melhor, porque andei menos do que ontem e conversei mais com a Ana. Esta foi a minha única viagem acompanhada por um rosto conhecido. Despedi-me dela e acho que o percurso valeu algo. Conversei com uma pessoa com quem não trocava mais de duas palavras e descobri algumas coisas da vida dela. Ela trabalha e pega todos os dias aquele mesmo ônibus na ida e na volta desde o início da faculdade, há três anos e meio. Às vezes, estamos tão voltados para o nosso grupo de amigos que esquecemos as pessoas que estão ao redor. Elas podem te ajudar de alguma forma em algum momento de sua vida.

Peguei o metrô e fui para a estação Paraíso. O vagão estava vazio e as pessoas viam o Florido tirando as fotos. Até que um menino perguntou para a mãe: "Quem é essa menina?". Engraçado. Ao fazer a baldeação, o outro vagão lotou. Dessa vez, ninguém se importava com o Florido. 

Na estação Consolação, pegamos o ônibus bem rápido e não conseguimos sentar. Eu estava com muita coisa na mão e pela primeira vez na semana uma mulher segurou as minhas coisas. Uma atitude muito legal, porque a qualquer momento poderia perder o equilíbrio. E perdi. Quase caí em cima de uma menina. Gafe...

O meu último percurso demorou uma hora e 20 minutos. Para mim, passou mais rápido, mas o relógio não engana. Só na ida gastei R$ 7,60 e na volta gastaria mais R$ 7. No total da semana tive um gasto de por volta de R$ 65. Muito. Com o carro chego mais rápido e ainda economizo um pouco. Mas a experiência valeu, sobretudo pelas pequenas surpresas do dia-a-dia. 

Veja o álbum do meu trajeto de hoje.

Por Thays Almendra, zona leste

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A pé em Hollywood

Depois da visita à Pixar, nos colocaram em um avião de Oakland para Burbank, numa viagem que durou uma hora e meia. Eu e mais dois colegas dividimos um táxi até o hotel, na mesma North Highland, onde eu havia sido hospedado no início da viagem. Foi meia hora de trânsito e um congestionamento que começou no Hollywood Bowl e parecia não parar nunca mais. Um dos ocupantes do carro (um americano que vive na cidade) estranhou, já que não havia nenhuma apresentação digna de nota na famosa acústica de Los Angeles.

Chegamos às 20h. Após o check in, instalar-me no quarto e dar uma olhada no UOL, resolvi ir ao cinema - mais uma vez. Chequei o site do Arclight, o mesmo complexo que visitei na terça-feira à noite, e encontrei o que queria: "A Duquesa", com Keira Knightley. Ao descer, perguntei para um funcionário do hotel quanto tempo de caminhada até o cinema, na Sunset com a Vine Street. "São mais ou menos dez quarteirões", disse ele. "Mais ou menos uns 15 minutos de caminhada."


Se vocês bem se lembram, foi o que durou a minha viagem de ônibus até o mesmo local - descendo pela North Highland até a Sunset Boulevard e, depois, seguindo por essa mesma rua até a Vine Street (veja a reprodução na foto). Sem contar o tempo de espera nos dois pontos. No total foram mais ou menos 25 minutos. À guisa de maior segurança, perguntei ao mesmo funcionário o que ele achava melhor: fazer o mesmo caminho dos dois ônibus ou ir por outro? "Melhor ir pelo Hollywood Boulevard até a Vine Street e descer até a Sunset", respondeu ele.


Faz sentido, já que a Sunset, que antigamente era território de cafetões, prostitutas e gangues, não conseguiu apagar completamente sua má fama - especialmente durante à noite. Não que Hollywood Boulevard, onde ficam algumas casas noturnas, restaurantes, o Egyptian Theater e a sede da Cientologia, seja muito melhor. Mas há mais gente na rua e o policiamento é ostensivo. Só para constar, na minha caminhada ao longo da via, entre a ida e a volta, contei três viaturas diferentes e uma moto do LAPD fazendo ronda - uma das equipes, aliás, havia detido um homem para averiguação, próximo da entrada de uma casa noturna.


Dez quarteirões em São Paulo são muito diferentes de dez quarteirões em Los Angeles, onde os blocos são como retângulos, extensos na largura e curtos nas extremidades. O Google Maps calcula o caminho que fiz em 1,1 milha ou 1,7 quilômetro. E dá como tempo para percorrer à pé esse trajeto 22 minutos. Na ida, talvez preocupado em não perder o horário da sessão, às 22h05, demorei 20 minutos para chegar. Fui despreocupado, já que ainda estava cedo e ainda havia muitos turistas e famílias passeando na rua cravejada de estrelas com nomes de personalidades do cinema como o diretor inglês Dick Powell, a atriz Jane Russell, o mago da animação Walt Disney.


Depois de assistir ao filme, que é muito bom e está no Festival do Rio e estará também na Mostra de São Paulo, chequei a hora - 23h - e por um momento quase cedi à tentação de pegar um táxi. Mas a minha consciência, já baleada por uma entrada em cena meio claudicante e por comentários rabugentos sobre os meus posts, resolvi respirara fundo e ir em frente - pelo mesmo caminho, claro, já que não sou nenhum aventureiro.


Essa volta foi um pouco mais tensa, tanto pelo adiantado da hora, como pela freqüência das ruas quanto pela movimentação dos policiais. A subida pela Vine, nem tanto. Mas a Hollywood Boulevard exigia um pouco mais de atenção - o que para alguém que vive em São Paulo, convenhamos, não é nada. Havia filas grandes nas casas noturnas, algumas bem barulhentas e tomando a calçada inteira. Grupos de "manos" americanos e latinos se juntavam nas esquinas, uns cantando rap e outros com a sofisticação de um teclado ou outro instrumento musical. Os sem teto estavam revirando as latas de lixo. E muitos casais e grupos de amigos estavam se dirigindo para as mesmas casas noturnas de que falei.


(Cheguei no hotel às 23h26, cansado e aliviado. Parei por um minuto na portaria do hotel e logo subi para escrever o post sobre a Pixar e pensar nesse que acabo de escrever.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Um futuro sem carro?

Uma semana sem carro rendeu: cinco viagens de ônibus, três caronas de carro e uma boa caminhada (ou 26 quarteirões) a pé. Isso me custou R$ 13,80. Pensando apenas no trajeto casa-trabalho e trabalho-casa, em uma semana de carro gasto cerca de R$ 12,00 de gasolina - a distância é 6 km, meu carro faz 12 km/litro e pago cerca de R$ 2,40 o litro - e R$ 23,75 com estacionamento - minha vaga de mensalista custa R$ 95,00. No total são R$ 35,75 por semana, sem contabilizar seguro, IPVA e gastos com manutenção (carro, de fato, parece um filho gastão).


Passando a régua, a economia foi de R$ 21,95. Mesmo sem a sorte das minhas caronas, eu ainda teria economizado R$ 15,05 se usasse o ônibus todos os dias.


Tenho também mais dois pontos a favor: moro em um bairro bem localizado na zona oeste, com transporte público para toda a cidade, e meu horário de trabalho não coincide com o "rush". Já peguei transporte público nesses horários e sei que alguns privilégios, como sentar, são inexistentes.


Outra vantagem descobri na quarta-feira: é possível depender exclusivamente das minhas pernas para chegar ao trabalho.


Bom, dirá você, a resposta só pode ser uma então: abandonar o carro para sempre. Pode ser, mas ainda tenho algumas pendências. Por exemplo, quando saio muito tarde do trabalho e tenho que andar até a rua Teodoro Sampaio - onde fica o ponto do ônibus que me leva para casa - passo por trechos com pouco movimento. Ou quando, eventualmente, tenho que fazer plantão no final de semana a partir das 7h, o número de ônibus nas ruas é reduzido.    


Minha conclusão é: com a minha rotina, dá sim para depender só de transporte público nos dias de semana. Vou tentar tirar o carro da garagem apenas quando eu souber que o horário no trabalho vai ser alterado. E o uso do automóvel fica liberado nos finais de semana, já que minha programação é mais imprevisível. 


Testarei esse plano no próximo mês antes de tomar uma decisão definitiva, afinal uma semana só foi fácil...

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Nova linha, novo tempo

Não sei se vocês lembram, mas na terça-feira eu tinha perguntado ao cobrador do meu ônibus se havia uma outra linha que passava no bairro e atravessava a avenida Faria Lima, onde fica o UOL. Pois bem, ela existe sim - como meu colega tinha dito - e hoje, sexta, resolvi testá-la.


A linha 856R Socorro não passa naquele ponto perto de casa, então tive que andar um quarteirão e meio a mais, mas isso demorou só quatro minutos. Sai de casa às 11h48 - lembrem que trabalho das 13h às 21h, e sim, sei que sou uma privilegiada de não ter que enfrentar os horários de pico. O ponto fica atrás do hospital São Camilo e na frente de um estacionamento, ou seja, um entra e sai constante de manobristas e carros.


O ônibus que eu peguei hoje estava bem novinho e era adaptado para deficientes físicosO ônibus chegou em seis minutos. Este foi o maior tempo que esperei pelo transporte nesta semana, ou seja, o tempo de espera definitivamente não foi um problema ao abandonar o carro. Sim, sei que também sou privilegiada de morar em um bairro bem localizado de São Paulo e, portanto, com um serviço de transporte público eficiente.   


Quando entrei no ônibus reparei que ele era bem novinho e adaptado para portadores de deficiência física. Perguntei para o cobrador com que freqüência os deficientes usavam aquele ônibus. "Tem dias que tem um ou dois, mas às vezes não tem nenhum". Deve ser por causa do hospital, pergunto eu. "Também, mas alguns estão só passeando mesmo". Liguei na Secretaria Municipal dos Transportes e eles me informaram que, dos 14.982 ônibus e micrônibus que circulam pela cidade, 2.767 são adaptados. Todas as linhas têm, pelo menos, um veículo assim, mas uma linha em especial (a 675L Terminal Santo Amaro/Metrô Santa Cruz) tem todos os ônibus com adaptação. Isso porque a linha passa pela AACD, pelo Hospital São Paulo e pelo complexo hospital da Vila Clementina. 


O trajeto deste ônibus foi semelhante ao da outra linha que eu pegava e demorou só um minuto a mais. Como eu parei no ponto em frente ao UOL, de novo, economizei 10 minutos de caminhada do Largo da Batata até aqui. Foram, no total, cerca de 35 minutos de casa ao trabalho. Fui almoçar às 12h25 e comecei o expediente já alimentada.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Duas ou três coisas legais sobre a Pixar

Há duas outrês coisas legais sobre a Pixar que valem a pena ser escritas aqui neste blog do Especial de Trânsito. Sediado em Oakland, uma cidade da Califórnia que fica a uma hora e meia de avião de Los Angeles, o estúdio de John Lasseter que revolucionou a animação digital com filmes como Toy Story 1 e 2, "Monstros S.A.", "Carros" e "Os Incríveis" adota uma política de trabalho muito interessante.

O ambiente, um prédio que se parece muito com um grande armazém, tem um grande lobby cheio de resturantes, cafés, uma sala de jogos e até uma lojinha onde se podem comprar bugingangas com o selo da casa. Nesse mesmo ambiente, há várias mesas e salas de estar que podem ser ocupadas a qualquer momento por funcionários ou visitantes. Adrienne Ranft, funcionária do estúdio, explica que a empresa estimula o contato humano - nada de memorandos, e-mails ou ferramentas de comunicação online. O que vale, ali, é o olho no olho.

Como o local é grande, os funcionários podem usar bicicletas ou patinetes para ir de um lugar ao outro - a construção é amigável para esse tipo de transporte. De fato, enquanto estava esperando por uma entrevista com Guilherme Jacinto, animador brasileiro que trabalhou em "Wall-E" e hoje está no projeto de "Up", primeira animação em 3D do estúdio, uma funcionária apareceu no lobby à bordo de um patinete para pegar o almoço em um dos restaurantes.

Adrienne contou também que no prédio há uma sala de massagens e uma pequena academia. Nas áreas comuns, fora do prédio, muito verde, uma piscina e um campo de... futebol - sim, os funcionários podem usar o tempo livre para nadar ou jogar bola. "Na semana passada, alguns visitantes estavam aqui quando, por acaso, havia um jogo de futebol acontecendo e muitos funcionários estavam usando a piscina", contou ela. "Um desses convidados me perguntou se em algum momento se trabalhava por aqui!" Estimular os funcionários dessa forma também está entre as condições necessárias para que se crie uma política ambiental consistente.

(Escrito depois de andar dez quarteirões do hotel onde estou, em North Hollywood com Hollywood Boulevard, até o cinema, o mesmo Arclight onde fui de ônibus na terça-feira, na Sunset Boulevard com a Vine Street. Foram 15 minutos para ir - às 21h - e 20 para voltar - às 23h. Mas isso eu conto amanhã)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Cineminha em Hollywood, de ônibus

Passei quase um dia inteiro sem postar, mas foi por uma boa razão: por causa da agenda apertada, não tive tempo de "não usar o carro". Passei um dia inteiro internado no Kodak Theater (aquele dos Oscar), assistindo a uma apresentação da Disney - confira em UOL Cinema ou UOL Jovem! - e depois me enfiaram em um avião para Oakland, onde estou agora, para uma visita à Pixar.

A não ser uma única vez, na terça à noite, quando fui assistir a "Ghost Town", comédia romântica americana estrelada pelo comediante britânico Ricky Gervais, no Arclight, um multiplex que fica no Hollywood Boulevard com a Vine Street, a uma milha do meu hotel, localizado em North Highland. São 21 minutos a pé, segundo o Google Maps. Ou dois ônibus para ir e mais dois para voltar. A passagem de ônibus aqui custa U$ 1,25 e dura o tempo de uma viagem. Ou seja, ida e volta custaria US$ 5. Nesse caso, a melhor opção é o Day Pass, que custa US$ 3 e dura das 10h da manhã do dia até às 10h da manhã do dia seguinte. Detalhe, tem que estar com a grana contada, pois não há troco nem restituição.

Assim, peguei o 268 na esquina da North Highland com Hollywood Boulevard desci no ponto da esquina com a Sunset Boulevard e segui em direção à Vine Street no 181. Em geral, os pontos são funcionais e trazem bastante informação para o passageiro - rota, freqüência e outras coisas. Como a maior parte dos usuários vem das classes pouco favorecidas e é oriundo de minorias étnicas - os latinos liderando -, quase tudo, inclusive propagandas, está escrito ou indicado em duas línguas.

Por ser noite, não consegui tirar fotos decentes. Mas tentarei fazer isso na luz do dia, assim que tiver tempo livre - com as provas cabais (as passagens) de que peguei ônibus. Foram 15 minutos, excluindo a espera, de viagem. Na volta, a freqüência diminui bastante, mas os coletivos aparecem sim. É seguro, mas não custa nada ficar de olhos bem abertos.

A propósito, "Ghost Town" é mediano. O Ricky Gervais, que criou o seriado "The Office", depois adaptado para o público americano, faz o papel de um dentista completamente fechado, um cara cheio de manias que não gosta muito de gente. E um dia, depois de quase morrer em uma operação de redução de estômago, passa a ver fantasmas. Um deles, o personagem do comediante X, pede que Gervais ajude a ex-mulher, interpretada por Téa Leoni, a se livrar de um suposto aproveitador. O resto, como você pode bem perceber, é muito previsível.

(Escrito entre ume entrevista e outra na Pixar, em Oakland, onde falei com o pessoal que trabalhou em "Wall-E")

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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25/09/2008

Com trilha sonora, o melhor tempo

Hoje, bati um recorde.

 

O relógio-termômetro de rua que fica em frente ao meu prédio marcava 11h em ponto quando eu atravessei a rua rumo à estação de metrô. Dia ensolarado, sem calor, nenhum sinal de estresse nos motoristas que passavam pela rua Vergueiro. Será que nos dias anteriores a calmaria era a mesma e eu tive uma percepção diferente? Ou estaria eu influenciado pela trilha sonora especialmente selecionada? Neste quarto dia sem carro, fiz algo que nos dias anteriores vi muita gente fazendo no ônibus e no metrô: ouvir música durante todo o trajeto.

 

Desvantagens: é necessário atenção redobrada. Música distrai. Se alguém chama, talvez não seja possível ouvir. Quando ouço música, em geral, é com volume elevado. Também deve fazer mal aos tímpanos, principalmente com esses fones de ouvido. Quando entrei no vagão do metrô, já ouvindo música com volume bem alto, bastou o trem começar a andar que tive a sensação de que alguém reduziu o volume do meu aparelho. Aumentei, aumentei, aumentei, e consegui fazer com que a música suplantasse o ruído do trem em movimento.

 

Quando saí do metrô, na avenida Paulista, notei que o volume estava bem exagerado. Fiquei curioso para saber qual o nível de ruído no interior do metrô. Aqui, na redação, pedimos informações sobre isso à Companhia do Metropolitano de São Paulo. Estamos aguardando informações. Nem sei se é muito ou se é pouco esse nível de ruído. Mera curiosidade. Aviões são muito mais barulhentos.

 

A caminhada até a rua da Consolação também é muito mais agradável com música. Dependendo do que se está ouvindo, há até uma torcida inconsciente para que o trajeto seja mais demorado. Mas o ônibus não demorou a chegar. Peguei o da linha 771P/10 (Jd. João XXIII). Ouvindo música, a sensação é de que tudo passa mais rápido.

 

Sensação de rapidez? Cheguei ao ponto da Rebouças com a Faria Lima exatamente às 11h33. Trinta e três minutos! Novo recorde de rapidez no trajeto até o UOL. E pensar que abasteci o mp3 player com 1 hora e 2 minutos de música, 14 canções. Ouça uma delas, na Rádio UOL 

Não vou revelar a playlist completa. Prefiro que os internautas comentem e dêem sugestões de música para ouvir no transporte coletivo. Alguma dica?

Por Irineu Machado, zona sul

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Fui parar no zoológico

Hoje fui para a faculdade, assisti à aula, fiz uma entrevista e almocei. O dia já era turbulento e eu sabia que a minha jornada só estava começando. Eram 12h40 e eu andava rumo ao ponto para pegar o ônibus “Metrô Saúde”, como tinham me indicado. Esperei cinco minutos e ele passou. Logo de cara, me deparei com o valor da tarifa do ônibus de R$ 2,90, parei e pensei: “Este deve rodar o mundo”.

Realmente rodou. Para se ter uma idéia, passei pelo bairro Taboão, em São Bernardo, Diadema e umas estradinhas cheias de árvores por todos os lados. Comecei a ficar tensa, muito tensa. Por alguns instantes, tive a sensação de ter tomado o ônibus errado... De repente, vi o zoológico. Não sabia que esse era o caminho. Comecei a tremer, primeiro, porque ia chegar atrasada no trabalho. Depois, por não fazer a menor idéia de como voltar de lá se estivesse perdida. Levantei e perguntei ao motorista se realmente aquele ônibus iria para o metrô Saúde. Ele me respondeu que sim. Ufa.

Depois de 20 minutos do ocorrido, cheguei ao metrô. E, como é de praxe, fiz uma baldeação do Paraíso para a Consolação. Chegando à avenida Paulista, fui pegar mais um ônibus. Dei o sinal e o motorista não parou. O farol fechou e mesmo assim ele não abriu a porta. Fiquei indignada: estava no ponto dei o sinal corretamente e ônibus não parou. Além de ficar na minha frente no trânsito e mesmo após eu bater na porta, ele não abriu. Como pode? Acredito que isso acontece com boa parte das pessoas que usam o transporte público. Um fato lamentável, pois todos nós estamos cansados e estressados. E nada justifica uma atitude dessas.

Depois disso, o motorista de um ônibus que estava atrás desse me chamou e abriu a porta, me sinalizando para entrar. Sorte que passava pela avenida Rebouças. Enquanto agradecia, o cobrador me contou que o motorista que não deixou eu entrar faz isso com metade dos passageiros. Pensei comigo: “Nada profissional.”

Parei no meu ponto de destino, atravessei a rua e o farol de pedestres fechou quando eu ia atravessar a próxima. Do nada, uma mulher atravessou correndo e caiu no chão. Um ônibus vinha na direção dela. Imaginem... Ela quase foi atropelada. Todos ao redor gritavam. Por sorte ela não se machucou. Acredito que se os pedestres também fizessem a sua parte menos acidentes aconteceriam. A mulher foi imprudente e o ônibus estava correto.

Após tanta turbulência, cheguei no UOL. Hoje posso falar que foi o dia mais tenso da semana. Acho que senti na pele como é a vida de pedestre. Dentro do primeiro ônibus fiquei quase 50 minuntos, no metrô uns 20 e no ônibus seguinte mais 10 minutos. No total, o trajeto foi de 1h20. Pouco, diante do que suei.

Por Thays Almendra, zona leste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 4: meu caro marronzinho da CET, o que eu posso e o que não posso fazer?

Após três dias encarando ladeiras de bicicleta, estou ficando mais à vontade com meu pedal. Fico menos preocupado em cair e tento prestar mais atenção ao meu redor. E isso se reflete nas três conversas que tive hoje, a caminho do UOL: a dona Maria Lúcia, 66 anos (20 deles sobre duas rodas); o vendedor ambulante; e o marronzinho.


Conversa com dona Maria Lúcia

A simpática dona Maria Lúcia...cheguei atrasado para a conversa. Saí correndo de casa para não chegar atrasado aqui no UOL e, quando vi, Leandro e a simpática dona Maria Lúcia, 66 anos, contando que pedala desde 1988, que mora em Perdizes (mesmo bairro que eu), que encara ladeiras acima e abaixo numa boa (confesso que fiquei impressionado) e que a bicicleta dela tem uma só marcha, diferente da bicicleta que me emprestaram, que tem mais marchas do que a Hidra de Lerna tem cabeças.


Tivemos que sair pedalando apressadamente para que eu não chegasse atrasado aqui, mas como dona Maria Lúcia e eu somos do mesmo bairro, acho que ainda nos encontraremos para continuar o papo.


Conversa com o vendedor ambulante
Leandro (meu tutor), Aylons (amigo dele, que simpaticamente se ofereceu para ajudar na minha "escolta" hoje) e eu estávamos parados em um semáforo na rua Atlântica, esperando para cruzar a avenida Brasil, quando fomos abordados por um vendedor ambulante de flanelas. Muito simpático, ele chegou falando alto conosco:


Vendedor - Três carros a menos, hein?


Eu - Sim!


Vendedor - Vocês não vão acreditar, mas conheci um cara que veio de bicicleta do Peru até o Brasil!


Eu - ...e como você descobriu que ele vinha de tão longe?


Vendedor - Pelas mochilas, e pelo fato de a bicicleta dele ter umas bandeiras penduradas. Uma figura, o cara...


Eu tinha mais perguntas, mas o semáforo, este eterno interruptivo de diálogos imortalizado por Paulinho da Viola em "Sinal Fechado", abriu e nós seguimos.


Conversa com o marronzinho

A poucos metros do UOL, encontrei dois marrozinhos da CET fiscalizando a esquinda das avenidas Rebouças e Brigadeiro Faria Lima. Marrozinho, como bem explica o site da CET, é o apelido dos operadores de tráfego aqui em São Paulo - não sei que apelidos eles têm em outras cidades, e agradeço se algum internauta me ensinar.


Enfim, me aproximei dele e perguntei:


Eu - Oi, estou começando a pedalar por São Paulo, você sabe dizer o que posso e o que não posso fazer?


Marronzinho - Pedale pela rua, lugar de bicicleta não é na calçada...


Eu - Faço isso desde o primeiro dia, mas um caminhão quase atropelou meu amigo na segunda-feira e ainda nos mandou pedalar na calçada...


Marronzinho - Ele está errado. E eu vejo assim: o irmão maior tem que cuidar do irmão menor. Ele, o caminhão, tem que tomar cuidado com os menores.


Eu - E o que eu não posso fazer? Quando eu estou errado e posso, em tese, ser multado?


Marronzinho - Nós não olhamos para bicicletas, apenas para os carros.


Eu - Mas não há leis sobre isso? Por exemplo, me disseram que um carro deve manter 1,5 metro de distância de uma bicicleta. E se ele desrespeitar isso? Pode ser multado?


Marronzinho - Essa distância de 1,5 metro deve ser mantida de qualquer veículo, inclusive de bicicletas. Mas na verdade, ele não pode ser multado. É uma lei, mas eu não poderia multá-lo nem se quisesse. Não há nem mesmo talão para isso.


Eu - Não?


Marronzinho - Não. Você pode processá-lo se sentir prejudicado, mas ele não será multado.


Eu - E você tem alguma dica para mim, enquanto ciclista urbano que está começando?


Marronzinho - Tome cuidado.


Depois, fui consultor o site da CET de São Paulo (http://www.cetsp.com.br/). Procurei nas seções "As dúvidas mais frequentes da população sobre fiscalização, multas, valores..." e "Resumo das infrações do Código de Trânsito", além de uma olhada por cima em outras seções. Não achei menção alguma a "bicicleta", "ciclista" ou "bike". Deve estar em algum lugar, mas ainda não achei. Mais tarde, tento de novo.


Simplificar uma conversa é difícil, pois tira alguns detalhes (o gesticular das mãos, as entonações e o irreproduzível brilho no olhar de quem fala de uma paixão), mas vou tentar resumir o que aprendi os três diálogos:


Dona Maria Lúcia: idade e ladeiras, somados, não intimidam um ciclista motivado.

Vendedor: se um cara veio de Lima a São Paulo de bicicleta, acho que a distância também não intimida um ciclista motivado. É longe, mas uma hora, chegamos lá.

Marronzinho: tomar cuidado.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Uma discussão em frente a faixa de pedestres

Nesta quinta-feira voltei a depender do bom e velho ônibus. Saí de casa, na verdade da casa das minhas amigas perto da metrô da Vila Madalena (estava de carona ontem, e dormi lá de novo), às 11h50. Hoje era minha vez de ser acompanhada pelo Flávio Florido, o editor de fotografia do UOL. Subimos a rua até a Heitor Penteado debaixo de sol forte.


Carreguei o bilhete único no metrô da Vila Madalena (foto: Flávio Florido/UOL)Primeiro fomos até o metrô porque eu queria recarregar o bilhete único. Depois pegaríamos a linha 847P-10 Itaim Bibi que nos deixaria na porta do UOL, na Faria Lima. No trajeto, o Flávio foi me fotografando. Quando paramos para atravessar a rua, fomos abordados por um homem que queria saber por que tínhamos fotografado o carro dele. Expliquei que éramos jornalistas, que estávamos fazendo uma reportagem, mostrei o crachá do UOL, e disse que se o carro dele saiu na fotografia foi apenas porque estava ali na rua que, afinal, é pública. Ele insistiu que deveríamos mostrar as fotos e apagar o registro do carro dele. O Flávio, de forma paciente, mostrou as imagens, explicou novamente o que estávamos fazendo. O homem nos ameaçou, disse que ia atrás da gente, mas foi incapaz de anotar nossos nomes e telefones - mesmo depois de eu insistir. Ficamos ali alguns minutos discutindo com o sujeito, mas foi inútil. Deixamos ele falando sozinho. Passado este percalço, seguimos para o metrô.


No ponto (este com cobertura), esperamos dois minutos pelo ônibus (foto: Flávio Florido/UOL)Eu nunca tinha recarregado um bilhete único, portanto nem sabia onde fazer isso na estação. Mas logo identificamos uma cabine de recarga. Tinha uma pequena fila com cinco pessoas. Na minha vez, perguntei à atendente qual o mínimo de crédito que eu poderia colocar. Ela disse com desdém: "R$ 1". Coloquei R$ 20, mas acho que exagerei, R$ 10 já eram suficiente. Enfim, o processo de recarga demorou 5 minutos.


De volta à rua, andamos um quarteirão até o ponto. Era 12h10. O ônibus chegou em 2 minutos, e cheio de lugares vagos. Como era a primeira vez que eu pegava esta linha, confirmei com o motorista se ele passava mesmo pela parada Eusébio Matoso, na avenida Faria Lima. Passava.


Descemos no ponto em frente ao portão do UOL, esse prédio no fundo(foto: Flávio Florido/UOL)O trajeto foi mais rápido, já que a linha que eu pego na Pompéia percorre vias mais movimentadas como a av. Professor Alfonso Bovero, a av. Doutor Arnaldo e a r. Cardeal Arcoverde. No caminho de hoje passamos pelas ruas da Vila Madalena e só chegamos na Cardeal no trecho que geralmente não tem trânsito.


Às 12h25 chegamos no ponto em frente ao portão do UOL. Demorei menos de 20 minutos - que é quanto eu levo da minha casa para o trabalho usando o carro. E, hoje, ganhei os 10 minutos que não tive que caminhar pelo Largo da Batata.


Veja mais imagens do meu percurso.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Mudança de trajeto

Nesta noite, topei seguir o conselho de algumas pessoas. Ao sair do UOL, peguei o ônibus Anhangabaú, que pára na estação de metrô com o mesmo nome. A Anhangabaú fica na linha vermelha (Leste-Oeste), a mesma que a Tatuapé. O ônibus estava vazio, consegui entrar e me sentar sem dificuldades. Passando dois pontos, o ônibus começou a encher de tal maneira que até quem estava sentado se sentia esmagado e sufocado.

Ao meu lado sentou uma mulher, perguntei a ela se o ônibus parava bem próximo ao metrô e ela me afirmou que sim. Cerca de 20 min se passaram e a passageira me alertou dizendo que aquele ônibus era circular. Isto significa que ele não parava no ponto final, fazia o trajeto de volta sem parar. Sorte que ela foi solícita, pois com certeza teria voltado junto com o ônibus.

Enquanto passávamos na catraca comecei a conversar com a mulher, ela ia para o metrô Corinthians-Itaquera e de lá pegaria mais dois ônibus. No total, demoraria 2h15 para chegar em casa. Essa era a rotina dela. Se calcularmos, ela estaria em casa por volta da 00h30. Além disso, teria que acordar às 6h para mais um dia de trajeto com transporte público.

Entrei no metrô, comprei o bilhete desci as escadas rolantes. O metrô estava sossegado, sem paradas ou problemas. Poupei as duas baldeações, que já é um alívio. Cheguei no metrô Tatuapé às 22h35 e não parava de pensar no meu jantar. Estava com fome. Acho que a mudança no trajeto de hoje foi válida, é menos turbulenta e foi o melhor tempo até hoje. Além de a vista de ônibus ser bem mais agradável do que os túneis do metrô. Amanhã, tenho uma notícia. Irei para a faculdade em São Bernardo do Campo, e de lá para o UOL. Salve-se quem puder.

Por Thays Almendra, zona leste

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24/09/2008

Um dia de andarilha

Resolvi experimentar uma nova modalidade neste terceiro dia sem carro: andar só a pé. A idéia era fazer o trajeto até o trabalho em duas etapas. A primeira caminhada seria até a academia de ginástica (que eu não ia havia uma semana), e a segunda até o trabalho. Acordei às 8h45 na casa das minhas amigas - aquela perto do metrô da Vila Madalena - para chegar às 9h30 na aula de bicicleta. Sai de tênis e mochila nas costas, carregando toalha e apetrechos para tomar banho por lá.


Vi pela janela que o tempo estava fechado, com o céu cheio de nuvens, mas fiquei com preguiça de carregar o guarda-chuva. Que arrependimento. Assim que eu subi a rua e cheguei na Heitor Penteado começou uma chuva fininha. E vento frio. Eu estava só com um casaco. Quando comecei a descer a rua Harmonia, a chuva apertou e eu era quase a única sem guarda-chuva andando por ali. Eu estava disposta a comprar um caso aparecesse alguém vendendo, mas não apareceu.


Era este o homem que ouvia rádio de pilha bem alto na ruaVirei à direira na rua Rodésia e andei mais um quarteirão até chegar à rua Girassol, onde fica a academia. A chuva parou e até abriu uma nesguinha de sol. Cheguei em 15 minutos, e ainda restavam 15 para começar a aula.


Depois da aula, fui tomar banho. Ainda eram 10h20, e eu precisava estar no trabalho só às 13h. Pelos meus cálculos eu demoraria pouco mais de uma hora para chegar à avenida Brigadeiro Faria Lima e conseguiria almoçar sem pressa. 
 
Deixei a academia por volta das 10h40 e programei um trajeto que evitasse as subidas da Vila Madalena. Uma cena curiosa que vi no caminho foi um homem com sua carroça de papelão escutando uma música estilo "Antena 1 FM" em um rádio de pilha. E bem alto, compartilhando seu som com os transeuntes.


Escolhi seguir por uma rua arborizada que tem ali na região. Não estava mais chovendo, mas o frio persistia; eu usava uma blusa regata porque, afinal, caminhar dá calor. O clima embaixo das árvores é obviamente muito mais agradável e deu até pra escutar os passarinhos cantando. Cenário bem diferente do que encontrei a partir da avenida Pedroso de Morais: fumaça, buzinadas e trânsito. Ainda bem que o tráfego estava bem livre na calçada.


Viva as ruas arborizadas!Até a av. Faria Lima existia todo o tipo de comércio. O bom (ou ruim) é que você lembra das coisas que precisa comprar. Ou pagar, como a fatura do cartão de crédito. Entrei em uma agência no meio do caminho e paguei. Também tentei colocar crédito no meu celular pré-pago, mas o sistema estava fora do ar. O melhor disso tudo é que não precisei procurar vaga para estacionar o carro.


Resumo: demorei 40 minutos no trajeto, cheguei às 11h20 no trabalho, ou seja, mais de 1 hora e meia antes do horário normal. Era bem mais perto do que eu imaginava.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Frio e lembranças do meu carro

Dia bem frio e eu acordei com uma gripe muito forte. Quase não conseguia sair da cama. Não fui à faculdade, mas para o trabalho teria que me recuperar. Tomei um remédio e 12h20 a minha jornada começava. Tarde muito sombria, pessoas muito agasalhadas e chuviscos.

Um vento bem gelado estava presente na plataforma do metrô. E eu rezando para não ficar mais doente. Parecia que o vagão demorava uma eternidade e que as pessoas estavam mais lentas. Mas hoje o problema era comigo.
Eu não estava 100% e quando você está gripada tudo fica um pouco mais difícil. Dentro do ônibus, eu via as pessoas correndo do chuvisco e alguns se protegiam como podiam, até com saco de mercado na cabeça alguns estavam. Acho que neste momento senti uma saudade do meu carro. Eu já contei? Ele tem nome e é meu companheiro dos momentos mais difíceis (risos).

A chuva é bem melhor enfrentada quando estamos dentro do nosso aconchegante carro. Acredito que muitos que estavam na rua por volta desse horário sonhavam com um carro quentinho. Cheguei ao UOL
às 13h25. Muito cedo, mas com o cabelo um pouco molhado e com frio.

Por Thays Almendra, zona leste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 3: você já fez amigos enquanto dirigia um carro?

No meu primeiro dia dessa "semana-ciclista", meu tutor Leandro me perguntou: "você já fez amigos enquanto dirigia um carro?". A resposta é não. Aliás, nunca puxaram assunto comigo enquanto eu dirigia, exceto para pedir dinheiro, tentar vender produtos ou me perguntar se eu faço parte de uma banda de rock (não, não faço).


A pequena Helena... uma futura ciclista?A única vez em que vi um motorista de carro puxar assunto com outro (estou excluindo os insultos - ninguém ofende uma pessoa que não conhece para iniciar uma amizade) foi na rua Turiassu, aqui em São Paulo. Eu estava dentro de um ônibus que não saía do lugar havia cerca de meia hora; na outra mão, um cidadão estava vermelho-quase-vinho de tão estressado - suponho que também estivesse parado por cerca de 30 minutos. A certo momento, o motorista do carro baixou o vidro de sua janela e gritou para o motorista do ônibus: "você é que é macho, viu? Muito macho!". Acredito que ele se referia ao fato de um motorista de ônibus passar o dia inteiro encarando o trânsito paulistano.


Enfim: dado o aviso do Leandro, passei a observar como se dá a opinião entre ciclistas que não se conhecem, mas que acabam conversando quando se encontram por acaso. Vi duas pequenas histórias nesses três dias.


História 1

Hoje, enquanto atravessávamos a Vila Madalena a caminho do UOL, Leandro e eu encontramos uma ciclista pedalando com sua filhinha em uma cadeirinha (foto ao lado). Leandro, ciclista mais descolado, perguntou se ela podia parar para conversar um pouco conosco. Ela topou.

Mariana e HelenaPerguntamos o básico: há quanto tempo ela pedala, do que ela gosta, do que ela não gosta.


Seu nome é Mariana, e ela tem 21 anos; sua filha, Helena, tem um ano e sete meses. Mariana pedala desde criança e o faz por prazer. Helena não se incomoda de ir de bicicleta: segundo a mãe, ela até dorme de vez em quando.


Mariana apontou dois problemas. O primeiro eu já vinha observando nas minhas pedaladas por aí: a agressividade dos motoristas. Eles tiram fina, buzinam, ignoram os ciclistas. De fato, incomoda. Hoje, por exemplo, um carro tirou uma "fina" do Leandro, quase desequilibrando-o. E ontem à noite, voltando para casa, quase fui tocado por uma moto (na rua Teodoro Sampaio) e por um ônibus (na av. Henrique Schaumann).


O segundo problema foi novidade para mim: a dificuldade em cruzar o rio Pinheiros. Segundo ela, não há ciclovias na maioria das pontes - ou seja, é bem inseguro para um ciclista passar, que dirá para uma ciclista com uma criança...


Tenho aprendido muito com esses dias de ciclismo por São Paulo, mas ainda assim não é uma situação muito próxima da maioria dos ciclistas: moro perto do trabalho e não tenho que atravessar pontes (ou viadutos) ao me locomover.


História 2

Na noite do primeiro dia, Leandro trouxe dois amigos, João e Mig, para me escoltar no caminho para casa. Éramos, portanto, quatro ciclistas.

Ladeira acima, fazendo esforço...Eles não me conheciam e foram bem simpáticos nos cerca de 20 minutos em que seguimos juntos. Passamos em frente à casa do João, que se despediu e entrou. Seguimos em três e, a poucos minutos do destino, a minha casa, encontramos dois ciclistas que não conhecíamos, um rapaz e uma moça (que também não se conheciam entre si). Houve um momento "puxar assunto" bem interessante e, quando percebi, estava chegando em casa cercado por quatro ciclistas. À frente, Leandro e o rapaz, conversando entre si; um pouco atrás, Mig e a moça; por último, eu tentando me concentrar com aquelas marchas todas (21, na bicicleta que o Leandro me emprestou), tomando um baita cuidado para não cair.


Havia algo curioso naquela cena: os dois ciclistas (Leandro e Mig) já acostumados e seguros estavam abertos o suficiente para prestar atenção no que vem de fora, como aqueles dois desconhecidos que se aproximaram de nós. E o terceiro ciclista, eu, voltado para o próprio umbigo, pensando apenas em mim mesmo e em seguir meu caminho sem cair, perdi a oportunidade de prestar atenção ao meu redor e de conhecer novas pessoas. Se não estivesse tão cansado de pedalar ladeiras acima por cerca de meia hora, teria pensado no quanto aquela situação poderia servir como metáfora para a vida.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Sem carro, dá para ler: isso não é um sonho

Uma das vantagens de deixar o carro em casa e usar transporte coletivo é poder fazer coisas que, ao volante, são impossíveis. Por exemplo, ler durante o percurso para o trabalho. Verdade ou mito? Resolvi fazer um teste hoje.
 
Eu tinha um compromisso profissional por volta das 10h. Sabendo que o trânsito de São Paulo é sempre pior entre as 7h e as 9h, me precavi, saindo mais cedo de casa. E hoje tive a companhia do editor de fotografia do UOL, Flávio Florido, que registrou algumas imagens do meu trajeto. Escolhi de uma estante um livro com vários textos curtos, também imaginando que não teria uma leitura ininterrupta no percurso, em que há trechos a pé, de metrô e de ônibus: "O Livro dos Sonhos", uma compilação em que Jorge Luis Borges reúne sonhos descritos por ele e por outros autores de várias épocas. Cabe no bolso, fácil de levar.
 
Deixo o prédio onde moro às 8h24. O trânsito na rua Vergueiro está bem mais intenso do que nos dois últimos dias (quando saí de casa por volta de 10h20). Na estação do metrô Chácara Klabin, o movimento também é maior do que o que encontrei na segunda e na terça. Chega a haver fila nas catracas (umas três pessoas em uma das três catracas de entrada). Empresto o meu Bilhete Único para o Flávio (não personalizado, o bilhete permite o uso por mais de uma pessoa, debitando do seu saldo o valor equivale a duas tarifas). Na plataforma da estação, o Flávio revela: "Nossa, faz uns 15 anos que eu não ando de metrô!" Acho que a experiência será bem mais surpreendente para ele.
 
Enquanto o trem não chega, começo a ler o livro, às 8h35. O trem chega quando termino o quarto parágrafo de "História de Gilgamesh", um conto babilônico do segundo milênio A.C. Em pé, no interior do trem, continuo a leitura. As estações vão chegando e o vagão vai lotando. Muita gente em pé, mas não chego a ficar espremido e é possível manter a leitura do livro. Até a estação Consolação, onde desci às 8h47, foi possível terminar o primeiro conto e dar uma bisbilhotada em outros textos do livro ("O Sonho de Coleridge", "Dreamtigers", "O Sonho do Petróleo", todos curtinhos...). Uma multidão sobe as escadas rolantes para a saída na avenida Paulista.
 
Lá fora, uma leve garoa. Em mais uma alteração de percurso em relação aos dias anteriores, hoje segui uma dica que o Felipe Vita, o "Felps", colega de trabalho que também mora na zona sul, me deu ontem à noite antes de ir embora: pegar um ônibus na própria avenida Paulista (evitando, assim, uma caminhada mais longa até a rua da Consolação). Chegamos ao ponto às 8h51 na parada que leva o nome de Augusta-Centro, que fica do lado oposto ao prédio do Conjunto Nacional, um dos marcos da avenida Paulista. Chequei numa placa se estava no lugar certo. Sim, as linhas de ônibus indicadas pelo Felps passavam todas por ali. Mas demorou. O primeiro dos quatro ônibus que me serviriam chegou após dez minutos de espera. Tem certeza que era melhor, Felipe?, pensei. Talvez a leve chuva tenha causado um atraso acima do normal nos ônibus.
 
Descendo a Rebouças, pude ler mais quatro contos até chegar ao meu ponto final, perto do UOL. Em pé, até o cruzamento com a Henrique Schaumman. Depois, sentado, até o ponto da Faria Lima, onde desci às 9h14. Foram 50 minutos de casa até o trabalho: a jornada mais longa até agora, desde segunda-feira. Conclusões positivas: sim, é possível ler (mesmo que pouco, muito mais que dirigindo um carro). O Flávio Florido até que curtiu a experiência, mas não creio que ele vá abandonar sua rotina de vir de moto para o trabalho: ele leva só DEZ minutos para chegar do centro a Pinheiros!
 
Ah, esqueci o crachá do UOL de novo... no carro.

Por Irineu Machado, zona sul

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Tráfego até dentro dos aeroportos americanos

Dez horas e alguns minutos depois de decolar do Brasil, aterrissei em Dallas, um dos "hubs" do sistema aeroportuário norte-americano. O que isso significa? Que o aeroporto dessa cidade industrial americana, onde John Kennedy foi assassinado em 1963, recebe boa parte dos vôos vindos de fora e os redistribui internamente. Além disso, quem vem de outros países, como é o meu caso, tem que passar pela imigração aqui. E esse pode ser um problemaço.

O vôo de conexão para Los Angeles estava marcado para às 7h20, horário local. Chegamos na imigração às 6h40 e encontramos os passageiros de mais dois vôos oriundos da América Latina, um do Chile e outro da Argentina. A fila serpenteava por quase um quilômetro dentro da sala. E éramos os últimos nesse grande congestionamento humano controlado por funcionárias da imigração e aliviado aos poucos pelo trabalho dos agentes do departamento.

Depois de passar pela imigração, pegar a bagagem, passar pela alfândega e entregar a mala novamente para o funcionário da companhia aérea reembarcá-la no avião que me levaria para Los Angeles, segui para o portão indicado nos monitores. Passava de 8h e era necessário ainda pegar o Skyline, nome do trem que leva os passageiros de um terminal para o outro. Como se não bastasse tudo isso, havia outro porém: para sair do terminal D e chegar ao C, teria que passar pelo E, A e B. Ou seja, mais atraso.

Quando cheguei ao portão C37 indicado nos telões do aeroporto, não havia mais ninguém. No balcão mais próximo, uma funcionária que me perguntou por que eu havia chegado atrasado, ao que respondi educadamente ter sido um atraso causado pela fila na imigração. Já haviam me colocado no vôo seguinte, que saía às 8h40. Mas a graça de tudo é que o terminal para o qual eu deveria me dirigir era o... Sim, o D, de onde havia acabado de chegar. Com algum tempo de sobra, fiz o caminho de volta, feliz por saber que não perderia mais nenhum embarque. Cheguei alguns minutos antes de fecharem a porta.

Como meu destino final é Los Angeles, ter Dallas como primeira parada não é tão complicado assim. A conexão para L.A. dura apenas três horas e quinze minutos. Mas ganha-se duas horas por causa do fuso horário. Ou seja, saí às 8h40 e cheguei às 9h55. Minha bagagem havia chegado antes de mim e de outras pessoas que estavam no mesmo vôo que eu e que também haviam perdido a conexão. Enfim, 18 horas depois, eu cheguei a Los Angeles.

O LAX fica bem longe da área metropolitana de Los Angeles. São cerca de 50 minutos por meio de uma "freeway". Dependendo do horário, essa quase uma hora pode virar até duas. Os congestionamentos nas rodovias logo cedo e no fim da tarde são comuns por conta do trânsito formado por quem vem das "cidades-dormitório" localizadas em outros condados. Um táxi, nessas condições, pode sair por um preço bem salgado - os US$ 40 pagos em condições normais viram facilmente US$ 60 ou até o dobro nos horários de pico.

A melhor opção para quem chega de viagem são as vans ou "shuttle services", que funcionam como as nossas lotações. Há vários pontos espalhados nos quatro terminais do aeroporto e os carros dessas empresas recolhem os passageiros que vão para áreas comuns. Paga-se uma tarifa fixa, que varia de acordo com a localização do hotel. No meu caso, fui hospedado no Renaissance North Hollywood (em um quarto com vista para o letreiro de Hollywood). Paguei US$ 16 pela corrida. Nada mal para começar o dia em um país estrangeiro.

(Escrito após 18 horas de vôo, muitos atrasos, trânsito de carros e de pessoas.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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De noite no ônibus

Na terça à noite saí do trabalho quase às 23h, e acabei perdendo minhas possíveis caronas. Restou o ônibus. Fiquei um pouco receosa de ter que andar até a rua Teodoro Sampaio para chegar ao ponto, então recorri ao site da SPTrans para descobrir um lugar mais perto. Precisava chegar até uma rua próxima ao metrô da Vila Madalena, onde moram umas amigas que iam me abrigar esta noite. Meu plano era cortar caminho no dia seguinte - mas isso é assunto do próximo post. 


Bom, o site tem um serviço bem útil de itinerários: é só colocar a rua de origem e a rua de destino que ele aponta a linha mais fácil. Anotei o número da linha no meu caderninho e só precisei sair do prédio do UOL e atravessar a rua. No ponto estavam umas oito pessoas, mesmo sendo 23h05. O meu ônibus chegou em um minuto (tenho tido sorte em relação a isso) e confirmei com o motorista se ele passava mesmo perto do metrô. Ele disse que sim.


O ônibus tinha cerca de 12 pessoas, a maioria jovens. Sem trânsito, desci no ponto 15 minutos depois. Até chegar em casa levei outros 5 minutos caminhando. Eram quase 23h30 e a rua continuava movimentada. A pé, quase virei na rua paralela à casa dos meus amigos, porque a deles é contramão. É curioso como a gente acaba se confundindo com o carro depois de muito tempo dirigindo. Só faltou dar a seta.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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A volta noturna passou bem rápido

Saí cinco minutos mais tarde do trabalho e, para quem anda de transporte público, esse pouco tempo faz uma enorme diferença. Os ônibus estavam lotados. Sentar? Privilégio para pouquíssimos. Na Consolação, desci do ônibus, caminhei para o metrô e vi uma cena que com certeza já tinha visto antes. Um casal se beijava. Lembrei que ontem eles estavam no mesmo lugar, quase no mesmo horário e na mesma posição.

Como a rotina pode influenciar tanto em pequenas atitudes... O casal se beijava da mesma forma que ontem e eu passava a pé por eles do mesmo jeito que ontem. A repetição das atitudes faz com que não reparemos e façamos tudo sempre igual. Ao meu ver, isso é um erro. Deveríamos mudar pelo menos um detalhe em nosso cotidiano. Que tal cumprimentar uma pessoa que nunca vimos?

E foi isso que eu fiz. Sentei no banco do metrô e cumprimentei uma garota. Ela ficou um pouco assustada, mas comecei a puxar assunto e descobri que ela ia para o mesmo lugar que eu. Moramos no mesmo bairro, nunca tínhamos nos visto e com um simples cumprimento conheci uma pessoa nova, que, além de tudo, me deu dicas para fazer o meu trajeto de amanhã.


Hoje demorei cerca de 35 minutos para chegar em casa. Tempo recorde de volta até então. Mas parece que passou bem rápido, fui conversando o caminho todo. Estava em casa, pois adoro falar e não vejo a hora passar.

Por Thays Almendra, zona leste

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23/09/2008

No meio do caminho

Na Semana sem Carro, a adesão de uma parte dos motoristas paulistanos ao movimento me salvou de perder o avião para os Estados Unidos, onde ficarei cinco dias em Los Angeles, a convite dos estúdios Disney e da Pixar. Vou contar como aconteceu. O leitor deve se lembrar da minha primeira participação um tanto apressada aqui no blog. Depois de entregar aquela quase confissão de culpa para o Irineu, que também participa dessa experiência blogueira do Especial de Trânsito, e de resolver assuntos de UOL Cinema com o pessoal da área de interface do portal, peguei o meu carro e segui na direção de Moema. A intenção era deixar o veículo na garagem do edifício onde mora a minha mãe, pegar um táxi para o aeroporto de Congonhas e, de lá, ir de ônibus para o aeroporto de Cumbica. O serviço é de primeira e custa apenas R$ 27,00 por pessoa. Muito mais em conta do que os R$ 81,80 que acabei gastando com um táxi - fora a dor de cabeça que vou relatar a seguir.


Por uma série de razões que não vale a pena revelar aqui todo o meu planejamento furou e saí da sede do UOL atrasado. Com isso, ficaria impossível deixar o carro na minha mãe e chegar ao aeroporto de Congonhas a tempo de pegar o ônibus das 18h ou das 18h30 - sim, há saídas de meia em meia hora. Por isso, tive que improvisar com o boleto de táxi da empresa. Antes de descer para a garagem, pedi o táxi para às 18h20, que nos meus cálculos mais otimistas seria o momento em que estaria à postos na portaria do prédio, em Moema. Claro que cheguei atrasado, mas também contava com isso e com o atraso do taxista também. Quando imaginava que estava tudo resolvido, recebi mais um sinal de que o meu primeiro dia sem carro parecia conspirar contra mim. Às 18h40, o motorista do táxi ligou perguntando em que condomínio eu estaria esperando. Sem perceber completamente a confusão, informei o nome do prédio e disse a ele que não se preocupasse. "Estou descendo", disse. Quando finalmente, de mala e bagagem, apareci na portaria, descobri que estávamos em locais diferentes, eu e o carro que deveria me pegar.


Para encurtar a história, basta dizer que o motorista foi enviado para um endereço homônimo em Alphaville. E o substituto deste último encostou na porta do prëdio onde eu o esperava, em Moema, às 19h18 - o vôo estava marcado para decolar às 21h35. De Moema até Cumbica, há duas opções: pela Bandeirantes, seguindo pela marginal Pinheiros e depois a Tietê. Ou seguir pelo centro, através da avenida 23 de maio, que em condições normais de temperatura, tráfego e pressão seria o caminho mais curto. Foi o que fizemos e, segundo o motorista, tivemos "uma sortinha" (sic) de não pegar trânsito no acesso à avenida pela Nhambiqüaras. "Aqui costuma ficar bem parado", completou. Na verdade, trânsito mesmo, nesse trecho, só enfrentamos antes do acesso à Radial Leste. Depois, mais uns três ou quatro quilômetros de lentidão até a bifurcação em que a via expressa se divide entre a direção da Dutra e da Ayrton Senna (antiga Trabalhadores). Encostamos no terminal de embarque às 20h02, apenas uma hora e meia antes da partida, o que na etiqueta do viajante experiente é uma falta grave.


Tudo isso para dizer que, apesar da confusão e do stress causado pelos atrasos e desencontros, não peguei nenhuma fila para o check in, passei na livraria para comprar algumas revistas, tomei um café tranqüilamente antes de passa pela alfândega e cheguei à sala de espera lotada poucos minutos antes do embarque. Mesmo assim, o vôo só decolou 40 minutos depois do horário. Ou seja, não basta dispensar o carro, é preciso ser organizado.


(Escrito à bordo de um Boeing 767, depois de jantar picadinho e durante a sessão de "O Amor Não tem Regras", com George Clooney e Renée Zellwegger, um filme tão ruim que foi lançado direto em DVD no Brasil)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Personagens de uma viagem

O metrô Tatuapé estava calmo às 12h30... as pessoas andavam sossegadas e estava um silêncio, comportamentos totalmente diferenciados dos horários de pico. O vagão chegou, eu entrei rapidamente e atrás de mim vinha uma senhora correndo da escada rolante. Quando ela se aproximou do vagão, a porta fechou em seu braço. A mulher deu um berro de susto e dor que ecoou no metrô silencioso.

Na minha cabeça, só vinha a dor que ela devia ter sentido naquele momento. Eu comecei a imaginar como seria bom se no metrô existisse portas como de elevadores, colocávamos a mão e ela abriria. Mas nem tudo é como a gente imagina. Segui o meu caminho e, mesmo na calmaria, o vagão começava a lotar. Na Sé, eu já estava totalmente esmagada contra a barra de ferro. Sorte que lá eu ia descer e me sentir um pouco mais livre.

Fiz a minha rotineira baldeação e estava em direção ao Metrô Paraíso. Neste trajeto, entra no vagão um homem com deficiência física sentado em um skate pedindo dinheiro. Em vez da cadeira de roda, ele se locomovia com aquela tábua com quatro rodas e pegava impulso com as mãos no chão. Me aproximei, dei uma moeda e tentei puxar papo. O homem era de poucas palavras, mas me disse: "me sinto tão pequeno aqui embaixo. Você não deve ter noção. Me ajude com um trocado".

Ele se retirou e uma menina que estava ao meu lado disse que quando ela se lembrava do metrô, via a figura daquele homem. A garota pega aquela linha havia seis anos e o homem estava sempre ali. Interessante como cada lugar tem um personagem que nos chama a atenção.

Desci na av. Paulista, andei até a Consolação e peguei um ônibus até o UOL. Nesse trajeto todo, 1h40min se foram. E cheguei 15 minutos atrasada. Amanhã quero arranjar uma alternativa menos demorada, já que virei direto de São Bernardo. Haja pernas, histórias e caminhos para contar.

Por Thays Almendra, zona leste

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No segundo dia, novo trajeto rendeu ganho de 4 minutos

Hoje, decidi fazer uma pequena alteração no meu percurso e ganhei quatro minutos em relação ao tempo que levei ontem para chegar ao trabalho. A propósito, a volta para casa ontem à noite, por volta das 23h50, foi tranqüila. Em meia hora estava em casa, após subir a Rebouças até a Paulista de ônibus e pegar o metrô na estação Consolação. Nem o ônibus nem o metrô demoraram a chegar. No último vagão do metrô, ninguém estava de bicicleta (o metrô permite o transporte de bicicletas por passageiros nesse horário), talvez por ser muito tarde.

 

Pela manhã, saí de casa exatamente às 10h23. Hoje, não precisei parar no guichê de carregamento do cartão Bilhete Único, e isso também contou para que eu ganhasse tempo. Logo que cheguei à plataforma de embarque, às 10h28, um trem passou direto pela estação (Chácara Klabin), vazio. Dois minutos depois, um trem parou na estação. A quantidade de pessoas que entravam e saiam durante o trajeto era muito semelhante ao que vi ontem. Para fugir da mesmice, decidi, no meio do trajeto, que hoje eu não desceria na estação Consolação, mas na estação seguinte, que também me serviria: Clínicas. A maioria dos passageiros do meu vagão, de novo, desceu na Consolação.

 

A parada Clínicas no corredor da RebouçasDa estação Clínicas até o ponto de ônibus no corredor da avenida Rebouças, a caminhada é um pouco mais longa que a de ontem (da estação Consolação ao ponto de ônibus da rua da Consolação). Da passarela que dá acesso ao ponto no corredor, notei que o trânsito não estava ruim na avenida.

 

Cheguei ao ponto e o primeiro ônibus a chegar já era bom: Parque Continental (vem da praça Ramos de Azevedo). Não havia assentos disponíveis, e uns 15 passageiros ou mais estavam em pé. Senti que pisei no pé de alguém ao tentar chegar ao fundo do ônibus, mas, em meio a tanta gente, não identifiquei a "vítima" a quem eu deveria pedir desculpas.

 

Dali até a esquina com a Faria Lima, foi rápido. Às 11h04, cheguei ao meu ponto de desembarque. Hoje, foram 41 minutos, apesar de, no meio do caminho, eu ter tido a percepção de uma demora maior que a da véspera (quando gastei 45 minutos para chegar).

 

No prédio do UOL, uma constatação pelo segundo dia seguido: a de que o carro serve também como uma extensão da memória, até certo ponto. Quando não quero esquecer algumas coisas em casa, costumo deixá-las no interior do veículo: por exemplo, contas a pagar, livro que alguém emprestou e preciso devolver, crachá de trabalho... Esqueci o crachá pelo segundo dia seguido... Hei de lembrar amanhã!

Por Irineu Machado, zona sul

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Bicicleta como meio de transporte, dia 2: teoria do caos, teoria da relatividade e complexo de inferioridade

Meu segundo dia de vir para o trabalho pedalando em vez de dirigindo teve alguns números em comum com o primeiro (ontem): demorei 32 minutos (ontem, 34 minutos); pedalando, sem contar o tempo parado em semáforos, foram 24 minutos e 20 segundos (ontem, 25 minutos e 40 segundos); percorri 6,36 km (ontem, 5,3 km); minha média de velocidade foi 15,4 km/h (ontem, 12,3 km/h); e meu pico de velocidade foi de 28,2 km/h (ontem, 24 km/h).

 

Leandro e eu entre árvores e carrosEssas diferenças são facilmente explicáveis: meu "guia" Leandro e eu optamos por um caminho maior, mas mais arborizado. Afinal, uma das vantagens de andar de bicicleta é não ter apenas a preocupação em chegar, mas também a possibilidade de desfrutar o caminho.

 

Assim, trocamos as ruas apertadas da Vila Madalena e Pinheiros (como a Arthur de Azevedo, onde um motorista de caminhão freou bruscamente em cima do Leandro, ontem) pelas ruas mais arborizadas de Jardins (como a Sampaio Vidal). Resultado prático: menos carros ao nosso redor (o que talvez explique a diminuição de buzinadas, de nove para três) e menos tempo parado nos semáforos.

 

Eu também estava mais seguro pedalando, menos preocupado em cair. Isso significa que curti mais, mas não evitou um susto, a apenas duas curvas do meu destino (o UOL). Quando estávamos cruzando a av. Brigadeiro Faria Lima, um carro que estava atrás de mim, na diagonal (eu na faixa do meio, ele na faixa da direita) virou abruptamente para a esquerda, "tirando uma fina" (passando perigosamente perto) de mim.

 

O Leandro, que estava na frente, mas olhando para trás, disse que o cidadão não se deu ao trabalho de dar uma seta, indicando que fosse virar. Ele também não estava na faixa da esquerda, o que seria o mais sensato. Ia pela direita, e se acertasse um carro, moto ou ciclista em sua virada brusca, eles que se entendessem no funileiro (o que, claro, deixa o ciclista e o motoqueiro em desvantagem).

 

Terminado o passeio, pensei em três coisas:

 

Olhando assim, parece que sou veloz, não? Mérito do fotógrafo, Flávio Florido- nos três percursos que já fiz (ir para o trabalho ontem; voltar para casa ontem; vir para o trabalho hoje), pensei ter feito todos em 15 minutos, aproximadamente. Três vezes errado: foram 34 minutos na ida de ontem, 37 minutos na volta de ontem e 32 minutos na vinda de hoje. Talvez por ser mais agradável que dirigir, ou talvez por evitar o estresse de dirige, pára, dirige, pára do trânsito paulistano, acabei não percebendo o tempo passando. O tempo é relativo... (Eu batizaria essa idéia de Teoria da Relatividade, mas parece que Albert Einstein chegou um pouco antes; além disso, tenho certeza de que o mundo inteiro já sabe que quando fazemos algo agradável [jogar futebol, por exemplo], o tempo "voa", e quando fazemos algo contrariados [um megacongestionamento, por exemplo], o tempo "se arrasta".)

 

- pensei também sobre como foi diferente o tratamento dos motoristas de ontem (mais tensos) comparado aos de hoje (menos tensos). Tenho a impressão de que acidentes acontecem em qualquer cidade, mas que em lugares como São Paulo o a fluidez do trânsito e o comportamento do motorista são ainda mais imprevisíveis. Será que depende do horário de saída? Do dia da semana? Do mês do ano? Do caminho? Do clima? Do trânsito que os motoristas enfrentam ao sair de casa? São fatores demais. Me lembra a Teoria do Caos - e o caos é uma palavra que cai bem para a cidade que, mesmo teoricamente aderindo ao Dia Mundial Sem Carro, tem trânsito 25% acima da média das 5 segundas-feiras anteriores.

 

- já havia notado ontem, e hoje se repetiu. Quando estávamos, Leandro e eu, na faixa da direita (a mais lenta), alguns motoristas ficavam irritados apenas por estarmos lá. E eles demonstravam o quanto ficavam incomodados ao nos ultrapassarem, quando faziam questão de pisar fundo, fazendo um barulhão no motor, ou cantando pneu, em uma espécie de rugido animal de "este território é meu" ou de "estou passando". Inevitavelmente, nos encontrávamos no próximo semáforo. Não sei que nome descreve esse tipo de comportamento. Complexo de superioridade? Ou de... inferioridade?

Por Pedro Cirne, zona oeste

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A interação dentro do ônibus

Hoje precisava chegar mais cedo no trabalho para adiantar uma matéria. Por isso sai de casa às 10h25, mais de uma hora antes do horário normal. A caminho do ponto de ônibus, ainda um pouco sonolenta e distraída, um cachorro latiu de um portão à minha direita e levei um susto como há muito tempo não acontecia. De dentro do carro os cachorros e os portões simplesmente não existem.


Esta é a mulher que me pediu ajuda no ônibusUm pouco mais acordada, segui até o ponto e em um minuto, literalmente, o ônibus chegou. Nesse horário, diferente de ontem às 12h, havia menos crianças no percurso e restavam mais lugares vazios. Puxei assunto com o cobrador para saber se havia uma outra linha que percorria a avenida Faria Lima, onde fica o prédio do UOL. Um colega do trabalho, e também morador da Pompéia, tinha mencionado essa linha, que deixa a gente na frente do trabalho e economiza dez minutos de caminhada pelo Largo da Batata. Mas o cobrador não conhecia. Depois tenho de checar o itinerário no site da SPTrans.


Pedestres dividem a calçada com os camelôs na região do Largo da BatataNo cruzamento da rua Apinagés com a Heitor Penteado, uma senhora de seus 60 e poucos anos pediu para o motorista abrir a porta. Estávamos parados e o ponto era cerca de dois quarteirões longe dali. Ela pediu uma vez. Falou mais alto na segunda, sempre pedindo por favor. E o motorista nada, fingiu que não escutou. A senhora ficou reclamando baixinho e foi descer só no ponto, voltando a pé o trecho que ela queria economizar. Em São Paulo, a maioria dos motoristas leva ao pé da letra a regra que os proíbe de parar fora dos pontos "oficiais".


Quando entramos na rua Cardeal Arcoverde, uma moça, com expressão preocupada, perguntou se eu conhecia bem a região. Fiz aquela cara de "mais ou menos". Ela queria saber como chegar na altura do número 2.000 da rua Teodoro Sampaio. Avisei a ela que a Teodoro era uma via paralela, à esquerda (ela não sabia; de fato estava bem perdida), mas que eu não sabia sobre a numeração. O caminho mais fácil era o cobrador, como sempre. Ela acabou descendo no cruzamento com a rua Deputado Larcerda Franco.


Hoje apareceu esse buraco na calçada perto da rua dos PinheirosParei no mesmo ponto, aquele do Largo da Batata, e, como ontem, demorei 10 minutos caminhando até o trabalho. Ontem eu comentei sobre as barraquinhas dos camelôs, então hoje coloco uma foto (acima) que mostra a situação "apertada". Para minha surpresa, os pedestres agora dividem espaço também com um buraco enorme aberto na calçada: parecia algum conserto de tubulação. Procurei alguém para me informar sobre o motivo do reparo e sobre quando o buraco seria tapado, mas não havia funcionários no local.


Nesta terça, demorei de novo 45 minutos de casa para o trabalho, ou seja, estou percebendo que é possível criar uma rotina com o ônibus. Para amanhã estou programando uma outra forma de deslocamento. Mas é surpresa.


PS: esqueci de contar minha volta do trabalho para casa ontem, mas não aconteceu nada de muito diferente: peguei carona com a minha irmã, que mora comigo e também estava voltando do trabalho.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Volta para casa: 22h, 2 ônibus e duas baldeações

Eram 22h e começava mais uma etapa da minha rotina sem carro. Neste momento, o trajeto seria voltar para casa. Ao descer o elevador do UOL, perguntei para um colega como eu faria para pegar um ônibus até a avenida Paulista. Questionamento bem óbvio, porque para chegar ao ponto de ônibus só bastava atravessar a rua.


Cheguei ao ponto, estava cheio, perguntei qual ônibus poderia pegar e descobri que quase todos passavam na avenida Paulista. Em menos de três minutos, subi nele e sentei no único lugar vago, ao lado de uma senhora. Pedi licença e ela não me respondeu, após alguns instantes a mulher dormia e a cada curva esbarrava em mim, despertando. O ônibus balançava bastante.


Chegando à rua da Consolação, na esquina com a Paulista, acontecia uma manifestação com inúmeros ciclistas. Todos a favor do Dia Mundial sem Carro. As pessoas dentro do ônibus abriram as janelas para observar mais de perto. Acho que esses ciclistas foram uns dos poucos que fizeram algum ato pela data, porque hoje o congestionamento na capital chegou a 144 km. Mas meu ponto se aproximava e a próxima parada era o metrô.

Comprei o passe, desci as escadas rolantes e pensei: - Para qual lado eu devo ir? Deparei-me com um placa que sinalizava o metrô Paraíso, sentido Alto do Ipiranga. Ufa. Estou do lado certo. No local do embarque, havia inúmeros adolescentes e jovens cantando, conversando. Entrei no meio deles e tomei o vagão.  Não consegui lugar para sentar e fiquei viajando nos meus pensamentos. Acho que ao volante a preocupação é constante. No metrô, esperar é um hábito. E foi o que fiz. Fiz duas baldeações, uma no metrô Paraíso, sentido Tucuruvi, e outra na estação Sé.


Perto do metrô Tatuapé, onde desembarco, percebi que meu celular vibrou. Eram cerca de 10 ligações não atendidas. Incrível como a tecnologia se aprimora a cada dia e dentro das estações de metrô o celular teima em não pegar.


No total, peguei dois ônibus, fiz duas baldeações e demorei 40 min para chegar em minha casa. De carro, faço o trajeto em 30 minutos sem trânsito. Se pesarmos na balança, o resultado é equivalente. Mas só foi o primeiro dia.

Por Thays Almendra, zona leste

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22/09/2008

Confesso que trapaceei...

Como diria Arnaldo Cesar Coelho, as regras de participação no blog deste especial eram claras, mas confesso que trapaceei no meu primeiro dia. Hoje, ainda vou "postar" de São Paulo, onde vim para o trabalho de carro e com a bagagem que levarei para a minha viagem a Los Angeles. Só quando chegar lá, para onde vou a convite dos estúdios Disney e suas associadas, empreenderei a experiência de viver sem carro durante uma semana. E vocês vão acompanhar como é depender de transporte público numa vasta cidade de cerca de 3.957.875 habitantes, com aproximadamente 13 milhões de habitantes na região metropolitana.

Esse primeiro post, assim, meio apressado, é para dizer apenas algumas coisinhas. Primeiro, que o texto da minha descrição é verdadeiro. Sou tão viciado em carro que se existissem clínicas de reabilitação específicas, eu seria um caso exemplar - uma espécie de Robert Downey Jr. automotivo. Quando fico sem transporte próprio, passo mal, suo frio e tenho visões só de pensar em sair de casa e andar ou pegar um ônibus. Só saio se vieram me buscar ou se for extremamente necessário. Caso contrário, viro ermitão.
 
Mas como vou viajar e não posso levar o carro no bolso, só me resta caminhar e usar o transporte público de uma das maiores cidades do mundo. Muita gente deve estar pensando por que não faço o mesmo aqui, já que São Paulo também está entre as maiores metrópoles do planeta. Explico.

São Paulo é um pouco menor do que Los Angeles, mas  cresceu desordenadamente, tem um trânsito caótico e o transporte público não é dos mais eficientes. A cidade americana, por sua vez, é vasta - as distâncias entre os lugares são enormes. Para ir de um lugar ao outro, só de carro - a cidade foi construída para eles - ou de táxi - ao contrário do que possam dizer, custa caro, muito caro. Sobra o transporte público, os ônibus principalmente, usados pela camada pobre da população americana e as minorias étnicas. É barato (vocês saberão exatamente quanto), prático e deixa os passageiros em qualquer ponto da cidade. O melhor de tudo é que não tem que quebrar muito a cabeça, nem fazer tantas perguntas no ponto de ônibus. E eles chegam na hora.

No próximo post, daqui umas quinze horas, vocês saberão mais. Agora, tenho que ir, senão perco o avião.

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Blog reúne relatos de cinco jornalistas, cinco dias sem carro

Na semana em que é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, uma equipe de jornalistas do UOL que costuma usar carro diariamente abrirá mão de seus veículos para observar e comparar as vantagens e desvantagens de viver no dia-a-dia usando transporte coletivo, bicicleta ou outros meios alternativos para se locomover.

 

Os  cinco jornalistas que participam da experiência relatarão, de segunda a sexta-feira, as vantagens, as desvantagens, as dificuldades e os ganhos da decisão de deixar o carro na garagem por cinco dias.

 

Os jornalistas Gabriela Sylos, Irineu Machado, Pedro Cirne e Thays Almendra, todos moradores de São Paulo, passarão a semana fazendo o que milhões de pessoas fazem toda semana na cidade: usar ônibus, metrô, bicicleta, carona ou mesmo andar a pé para fazer todas as atividades deles que exijam algum tipo de locomoção pela cidade. Alessandro Giannini, editor do UOL Cinema, estará nos Estados Unidos (em viagem a trabalho) e mostrará como é usar o transporte coletivo diariamente em uma cidade como Los Angeles.

 

Todos os internautas estão convidados a participar: deixe aqui o seu comentário

 


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O primeiro dia sob o sol

A semana começou com uma troca: emprestei meu carro para o meu namorado e ganhei o bilhete único dele – carregado. Troca justa, já que o tanque do meu carro estava com metade do tanque cheio.


O ponto é essa madeira no canto esquerdo; há quem prefira esperar dentro da cabine telefônicaA forma mais simples de ir de casa para o trabalho – meu primeiro deslocamento da semana sem carro, às 11h45 desta segunda – é de ônibus: existe um ponto a menos de um quarteirão do prédio em que moro. O ponto significa um poste de madeira descascado, sem cobertura, nem banquinhos, nem placa de itinerários. Com o vento frio, ficar sob o sol durante dez minutos não foi tão ruim. A outra pessoa que aguardava o ônibus junto comigo, entretanto, preferiu se enfiar dentro da cabine de telefone ao lado.


Durante o trajeto, quase todos os pontos eram iguais ao meu, mas só até chegar às vias mais largas e movimentadas, como a avenida Dr. Arnaldo e a rua Cardeal Arcoverde, que tinham paradas de ônibus mais completas. Ali também o movimento era bem maior: chegamos a parar duas vezes por causa do trânsito.


Dentro do ônibus sobravam lugares para sentar, mesmo com entra e sai constante em cada parada. No ponto em que eu desci, no Largo da Batata, sobravam poucos passageiros e a maioria desembarcou naquele mesmo lugar. Fazia 25 minutos que eu tinha saído de casa. Para chegar até o prédio do UOL foram mais dez minutos caminhando, atravessando ruas e desviando das barraquinhas dos camelôs.


No total, demorei 45 minutos no trajeto completo, sendo que de carro levo cerca de 20 minutos. Como eu sai de casa 20 minutos mais cedo do que de costume, deu tempo de almoçar antes de começar o expediente (às 13h), como faço quase todos os dias. Ufa.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 1: 5,3 km, 9 buzinadas e 1 freada brusca em cima

Meu primeiro dia desta semana em que troco meu carro por uma bicicleta pode ser resumido em poucos números: 5,3 km, 9 buzinadas e 1 freada brusca em cima, que rendeu insultos como "imbecil" e ordens como "vá pedalar na calçada!".

Mesmo vestido assim, eu estava invisível aos motoristas e pedestresPara começar pelo início: não foi uma mudança feita de uma hora para a outra. Não gosto muito de dirigir, apenas acho mais prático. Prefiro ir de ônibus, lendo, a dirigir e ficar estressado com a agressividade e a estupidez de uns poucos motoristas, mas que fazem barulhos e estragos como se fossem muitos. Entretanto, há lugares para onde ir de carro é mais prático do que de ônibus, como o lugar em que jogo bola semanalmente e a casa da minha namorada. Acabo, portanto, passando mais tempo dentro do meu carro do que de um ônibus.

Então, a oferta de "topas encostar seu carro e vir e voltar de bicicleta por uma semana" foi prontamente aceita. Tive regalias: um amigo (e ativista a favor do ciclista urbano) emprestou-me a bicicleta, o capacete, as luvas e outros acessórios a mais. Além disso, ofereceu-me para me acompanhar na ida e na volta, ensinando-me alguns macetes para pedalar em São Paulo.

O fato de ter alguém junto ajudou bastante. Primeiro porque ele me levou acessórios que ajudam bastante e nos quais eu certamente não teria pensado sozinho. Segundo, pelas dicas - coisas como "pedalar por São Paulo é como dar as costas para alguém que você não confia!"; "não importa o quanto como você esteja vestido ou o quanto você sinalize, você sempre será invisível aos olhos de um motorista ou motociclista"; e "motoristas não dão seta e falam muito ao celular, então, cuidado".

Após as primeiras instruções, saímos. A primeira buzinada, para minha surpresa, demorou menos de cinco segundos. Saímos na avenida Professor Alfonso Bovero, na zona oeste de São Paulo, e menos de meia quadra depois um motorista já nos buzinou. Afinal, imagino, ele tinha pressa. Não creio que tenha adiantado muito. Nos encontramos lá na frente, com ele parado no semáforo. Isso aconteceu também com todos os outros oito que nos buzinaram neste pequeno percurso de 5.340 metros, média aproximada de uma buzinada a cada 600 metros.

Ainda nos números: normalmente, demoro 20 minutos (de carro) ou 25 minutos (de ônibus) de casa até o trabalho. Hoje, demorei 34 minutos, dos quais pedalei por 25 minutos e 40 segundos, sendo que fiquei parado por pouco menos de nove minutos em semáforos - sei com precisão porque o ciclocomputador da bicicleta que o Leandro me emprestou marcou. Minha média de velocidade foi de 12,3 km/h, e meu "momento Schumacher" foi a velozes 24 km/h.

Único momento mais tenso: na rua Arthur de Azevedo, pedalávamos pela faixa da direita, conversando, com a faixa da esquerda completamente aberta, para os que tivessem pressa. Um pequeno caminhão da Rubens Decoração vinha atrás de nós e, em vez de nos ultrapassar, preferiu buzinar e, não satisfeito, acelerou o carro e freou em cima do Leandro (eu estava mais para a direita). Uma estupidez, claro. Um leve toque no pneu traseiro dele e teríamos um acidente. Leandro, com cinco anos de ciclismo urbano por São Paulo nas costas, deu a volta e foi tirar satisfações com o motorista. Enquanto isso, um pedestre que viu a cena gritou para o motorista do caminhão: "seu imbecil!".

Detalhe para tentar ficar mais visívelO semáforo estava fechado (aquela buzinada, como as oito anteriores, foi inútil). Leandro se aproximou do motorista e perguntou se havia algum problema. O motorista foi rápido: "vá pedalar na calçada!" Afinal, na cabeça dele, lugar de bicicleta é na calçada, com os pedestres, e não na rua, atrasando em dois segundos o tempo que ele levaria para chegar ao semáforo fechado, onde ficaria inevitavelmente parado.

Para fechar meu primeiro relato, uma coisa que observei neste primeiro percurso: Leandro tinha razão, o ciclista é aparentemente invisível ao motorista. E, aparentemente, aos pedestres também. Nestes 35 minutos de pedaladas, mesmo com o sinal vermelho para eles, nenhum pedestre esperou que cruzássemos para atravessar a rua. Se havia algum carro atrás de nós, eles aguardavam; se não, atravessavam numa boa, nós que desviássemos.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Carona foi a solução para o primeiro dia

Acordei atrasada para ir à faculdade. Eram 8h30 da manhã e precisava estar na Metodista, que fica localizada em São Bernardo, às 10h. Algo impossível com transporte público, pois uma viagem de ônibus naquele horário demoraria, em média, 1h40.


O desespero bateu. Comecei a busca pela carona perfeita. Liguei para um colega que já seguia seu caminho, liguei para outra e consegui. Um problema resolvido.Entrei no carro e já comecei ouvir uma música bem alta depois de acordar. Algo que não faço. Não consigo ouvir rádios musicais logo de manhã. O que tocava era um black music, típico de balada, daqueles bem dançantes. O som estava alto, a minha carona cantava e até dançava um pouquinho. Algo diferente, pois todas as manhãs fico no silêncio ou converso com uma amiga que costuma fazer o trajeto comigo.


No caminho, percebi coisas que nunca havia reparado antes. Palpitei nas rotas e até convenci minha carona a cortar um caminho do jeito que eu faço. Mas o tempo parece demorar muito mais se não é você que dirige. Estava ansiosa para chegar.

Na saída da faculdade, mais uma vez o atraso fez parte do meu dia. Eram 12h40, precisava estar no UOL às 14h. Fui me informar como iria para o trabalho de lá de São Bernardo. Descobri que o jeito mais rápido seria pegar um ônibus até a estação Saúde do metrô, depois parar na estação Consolação e pegar um ônibus até a av. Brigadeiro Faria Lima. O meu informante disse que em torno de 1h50 faria esse trajeto.


Esperei dez minutos e o ônibus não passou. Carona foi a solução novamente. Depois de umas cinco tentativas de ligações, consegui falar com uma amiga que trabalha próximo ao UOL e que por sorte estava na Metodista.


No caminho para chegar ao trabalho, o trânsito estava livre, sem muitos carros nas ruas. Moral da história: cheguei 13h10, cerca de 20 minutos antes do normal. Acho que não terei essa mesma sorte ao voltar para casa de transporte público às 22h. Esperem para o segundo tempo.


Por Thays Almendra, zona leste

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Primeiro dia: o transporte público fora do horário de pico

Usar carro diariamente é um hábito tão forte que a dúvida começa no elevador do prédio: ao sair de casa apertei o "-1", que é o andar da garagem, em vez de apertar o "0" (térreo). Lá fora, 18 graus às 10h22. Trânsito aparentemente tranqüilo. Moro a duas quadras da estação de metrô Chácara Klabin, que fica na rua Vergueiro, Vila Mariana, zona sul de São Paulo. A Vergueiro quase vazia como estava hoje pela manhã é uma raridade. Em geral, de carro, nessa área, levo uns dez minutos para percorrer umas três ou quatro quadras.

Na estação Chácara Klabin, uma das mais novas do metrô paulistano, inaugurada em maio de 2006, só duas pessoas aguardavam atendimento à minha frente no posto de carregamento do Bilhete Único (cartão lançado em São Paulo em maio de 2004 que permite ao passageiro fazer várias integrações de ônibus pagando uma única passagem dentro do período de três horas, ou fazer integrações com metrô e trem pagando por um preço menor do que o valor normalmente cobrado se a integração for feita em até duas horas da passagem pela catraca). Eu já tinha um bilhete, adquirido há uns dois anos, e não precisei tirar um novo. No balcão, pedi uma carga de R$ 20 no meu bilhete. Também não precisei pagar em dinheiro: cartão de débito serve.

A estação Chácara Klabin, vaziaDesci as escadas rolantes e o trem que eu pegaria acabara de sair, às 10h32. O trem seguinte chegou quatro minutos depois. Ele vem da estação Alto do Ipiranga. Estava tão vazio que pude contar o total de passageiros no meu vagão: 11 pessoas, eu incluído, em pouco mais de 60 assentos no vagão. O trem ficou parado na estação por cerca de um minuto. Nas estações seguintes, o movimento foi muito maior. Na Ana Rosa, contei cerca de 30 pessoas entrando no vagão. No Paraíso, foi gente demais: impossível contar. Já não havia mais assentos vagos e muita gente estava em pé. O condutor avisa pelo sistema de som: "Abra espaço para o embarque. Utilize o corredor." Na estação Brigadeiro, poucos desceram e poucos entraram. De novo, aviso do condutor: "Não segurem as portas. 70% dos atrasos no metrô acontecem porque as pessoas seguram as portas." Na estação Trianon, também desceram e entraram poucos passageiros. Mais um aviso no sistema de som: "Se você não vai desembarcar na próxima estação, evite a região das portas." Chegou a minha estação de desembarque: Consolação, cuja saída fica na avenida Paulista. A maioria dos passageiros desceu lá.

Dali até o ponto de ônibus na rua da Consolação para chegar à avenida Faria Lima (onde fica o prédio do UOL), é uma caminhada curta: pouco mais de duas quadras. Às 10h50, o trânsito na Paulista fluía bem, pelo menos naquele trecho. No ponto de ônibus da rua da Consolação, o painel eletrônico indicava o tempo de espera para os ônibus de algumas linhas. Alguns indicavam "5 minutos", outros "4 minutos", outros "sem previsão". No meu caso, pelo menos, não foi preciso esperar muito. Uns dois minutos depois de minha chegada, um ônibus que desceria todo o corredor da avenida Rebouças. Seis pessoas subiram. Um dos passageiros que iria subir orienta os que se aglomeravam entre a porta e a catraca: "Vamos usar o corredor da esquerda, por favor, pra todo mundo subir tranqüilo). Passei o bilhete, consegui um assento (o ônibus não estava lotado) e em menos de dez minutos, desci no ponto que fica no cruzamento da Rebouças com a Faria Lima. Eram 11h07.

Resumo do primeiro dia de minha semana sem carro: cheguei ao trabalho 45 minutos depois de sair de casa, fora dos horários de pico do trânsito. Um pouco menos do que os 50 minutos que levo em média de carro. Mas um dia é pouco para qualquer conclusão.

Incentivo ao uso da bicicleta

Nas estações de metrô de São Paulo, há avisos mostrando os pontos em que os passageiros podem entrar com bicicletas nos vagões, o que é permitido todos os dias da semana das 20h30 até o fechamento das estações.



Um cartaz anuncia a ampliação dos horários de acesso ao metrô com bicicleta. Hoje à noite, usarei o último vagão para ver se algum passageiro entra de bicicleta.

Por Irineu Machado, zona sul

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A idéia

Na semana em que é comemorado o Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro), uma equipe de jornalistas do UOL que costuma usar carro diariamente abrirá mão de seus veículos para observar e comparar as vantagens e desvantagens de viver no dia-a-dia usando transporte coletivo, bicicleta ou outros meios alternativos para se locomover. Diariamente, até sexta-feira, as impressões dos cinco jornalistas serão publicadas neste blog.

Gabriela Sylos Gabriela Sylos
Zona oeste, Pompéia
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Irineu Machado Irineu Machado
Zona sul, Vila Mariana
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Pedro Cirne Pedro Cirne
Zona oeste, Perdizes
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Thays Almendra Thays Almendra
Zona leste, Tatuapé
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Alessandro Giannini Alessandro Giannini
Los Angeles, EUA
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