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Blog do Especial de Trânsito

Cinco pessoas, cinco dias sem carro

27/09/2008

O último dia em Los Angeles

Antes de mais nada, uma correção. Em um dos meus primeiros posts aqui em Los Angeles, escrevi que uma alternativa à passagem normal de US$ 1,25 seria o "Day Pass", que dura pelo período de 24 horas, a partir das 10h. Só que o valor que passei está defasado: são US$ 5 e não US$ 3, como havia escrito.

 

Dei-me conta disso hoje, quando peguei o 212 na volta de Sta Monica Boulevard com La Brea, onde fui comprar um presente para o meu filho - depois de passar a manhã inteira em um estúdio de maquiagem e efeitos especiais de Henry Berger (Oscar por "As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian"). Depois de depositar três dólares na máquina, ela avisou delicadamente que faltavam mais dois dólares.

 

A sinalizaçãoAliás, isso vale um parêntese rápido. Em geral, em Los Angeles - e nas grandes cidades dos Estados Unidos - o ofício de motorista de ônibus é exercido por muitas mulheres. E posso testemunhar que, ao contrário do preconceituoso senso comum, elas são ótimas condutoras, além de levarem a sério o trabalho. Fazer piada ou gracinha com essas senhoras é altamente contra-indicado.

 

Essa que cobrou os dois dólares a mais pelo "Day Pass" foi uma das poucas que me recebeu no seu local de trabalho com um sorriso. "Como vai o senhor, hoje?", perguntou ela. Fiquei tão surpreso com a gentileza que entreguei o dinheiro para ela. Ao que ela me respondeu, com uma piadinha: "Na máquina, por favor; eu não toco em dinheiro, baby".

 

Depois de deixar as coisas no hotel, no fim do dia, voltei ao The Groove, um shopping ao ar livre próximo de Beverly Hills, para assistir ao novo filme de Ed Harris, "Apaloosa", que recebeu (merecidas) boas críticas na imprensa americana. Desta vez, à bordo do 780, que é vermelho, o que indica que faz parte das linhas rápidas. Em pouco mais de dez minutos o coletivo percorreu quase três milhas, mais ou menos uns cinco quilômetros.

 

Los Angeles, essa cidade de 13 milhões de habitantes, dos quais mais de 3 milhões vivem na área metropolitana, consegue ter um sistema de transporte público eficiente - especialmente para a camada da população que o usa mais freqüentemente. Pode-se ir de um extremo ao outro com certa facilidade, mesmo que isso signifique ir até Venice Beach - já fiz esse trajeto. Quando o destino extrapola os limites da área metropolitana, as coisas ficam mais difíceis. Mas não impossíveis.

 

O trajeto de forma claraEmbora a cidade tenha sido planejada para os carros, há uma preocupação em facilitar a vida de quem usa transporte público - especialmente os ônibus, já que a rede subterrânea do metrô é limitada. Há várias empresas operando, os trajetos cobrem grandes áreas e são facilmente compreensíveis - basta dois dias para entender como tudo funciona. Em São Paulo, por exemplo, um estrangeiro precisa de um curso para saber como funciona o transporte público - e isso inclui o Metrô, que tem fama de ser bem estruturado. Falo como usuário - bissexto, com certeza - e não como um especialista.

 

Espero que tenha passado uma idéia de como as coisas funcionam por aqui. E anuncio que como resolução de ano novo vou colocar entre as minhas prioridades deixar o carro em casa. Podem cobrar.

 

(Escrito no fim de uma semana muito corrida e de muito trabalho, que incluiu momentos bem divertidos, como uma visita à Pixar e o contato com um dos mais competentes especialistas em maquiagem e efeitos especiais para cinema.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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26/09/2008

O último dia foi o pior, mas decidi adotar o transporte coletivo

No último dos cinco dias dessa experiência sem carro resolvi fazer mais um teste: evitar o metrô e tentar chegar ao trabalho só de ônibus (dica da Cíntia Baio, da equipe do UOL Tecnologia, que viu meus posts anteriores e disse que morando na Vila Mariana é possível ler mais a caminho do trabalho, usando só ônibus). Desde segunda, foi o dia em que saí mais tarde de casa: 11h43. A duas quadras de casa, antes da estação Chácara Klabin do metrô, peguei um ônibus da linha Parque do Ibirapuera. No curto trajeto até descer ao ponto da Noé de Azevedo, pude ler quatro dos deliciosos casos da história do futebol narrados por José Macia, o Pepe (um dos meus ídolos da era em que o futebol era mais arte que esporte), no livro "Bombas de Alegria". Desci na Noé de Azevedo, perto da estação Vila Mariana do metrô, e andei até o ponto de ônibus depois da estação. O ponto não tinha nenhuma placa com informação sobre ônibus, mas me informaram que ali paravam ônibus que seguiam pela avenida Paulista, onde eu pegaria outro ônibus rumo a Pinheiros. Distraído, ouvindo música (de novo, o mp3 player, abastecido com a mesma playlist da véspera, 1 hora e 2 minutos de música), olhei para o lado oposto ao de onde viria meu ônibus. O suficiente para perder o ônibus da linha Paraíso. Quando vi, era tarde, ele já estava saindo. Tudo bem, aguardo o ônibus seguinte, com pensamento positivo: não deve demorar muito...

 

Trânsito intenso na Paulista, mas não paradoDemorou. Uns dez minutos. Uma senhora me perguntou se era ali mesmo o ponto para ônibus na Paulista. Eu disse que sim, pelo que me informaram outros passageiros no ponto. Chegou o 875M-Perdizes. Subi, sentei no último banco. Ouvindo música, lendo, o trânsito fluía na Paulista.

 

Em um dos textos do Pepe, "O Bonde que Marcava o Tempo", ele conta que, aos sete anos, jogava bola na Vila Melo, em São Vicente, num campo que chamavam de Areião (morei lá pertinho na minha infância, umas três décadas depois da infância do Pepe, eu jogava bola num campo que chamávamos de Mangueirão-andar de ônibus lendo traz memórias da infância...). Na época do Pepe, ele relata, ninguém usava relógio, e o tempo do jogo era determinado pelas passagens de um bonde: os times trocavam de lado no campo e terminavam o jogo quando passavam os bondes. Dois tempos de meia hora. Uma pontualidade no transporte público que hoje não existe mais...

 

Pedestres na Doutor Arnaldo são mais rápidos que os carrosDesci na parada Frei Caneca, na Paulista, e não precisei esperar: peguei meu terceiro ônibus, o Parque Continental. Só que... erreeeeei... Me confundi com uma dica da Cíntia (mais tarde, ela me disse que o correto para mim seria o ônibus Shopping Continental. Confiei demais na memória e não tomei nota, por isso errei). O ônibus entrou na avenida Doutor Arnaldo, que estava completamente parada. Desci na altura do início da rua Teodoro Sampaio. Fui para o lado oposto e, no ponto de ônibus que não tinha nenhuma informação sobre os ônibus que por ali passavam, esperei algum que fosse pela avenida Rebouças. Parou um, e perguntei ao motorista se algum dos ônibus daquele ponto descia a Rebouças. "Não, aqui nesse ponto, não. Só lá na frente, depois do hospital", me orientou ele. Fui andando até a Rebouças. Vendo a Doutor Arnaldo praticamente parada nos dois sentidos. O relógio-termômetro da rua já marcava 12h45. Já fazia uma hora que eu havia saído de casa. Que dia...

 

Panfletos de candidatos jogados na escada do corredor de ônibus da Rebouças, perto do Hospital das ClínicasNa passarela de acesso ao corredor de ônibus da Rebouças, a menos de dez dias das eleições municipais, muita gente distribuindo panfletos de candidatos. E muita gente jogando os panfletos na escadaria da passarela. Aliás, no caminho desde casa, recebi material de campanha de três candidatos. Na porta do apartamento, um envelope com uma carta, três santinhos e um panfleto de um candidato a vereador do PSDB. Perto do metrô Vila Mariana, um jornalzinho do candidato do PSOL à Prefeitura. Na Rebouças, um panfleto de um candidato a vereador do PSB.

 

Vejamos o que os três dizem sobre transporte público em São Paulo.

 

O primeiro, na carta em que pede meu voto, menciona o tema em uma linha sem nenhuma objetividade: "E preciso rever a questão da mobilidade (o trânsito caótico exige que a cidade repense a sua ocupação)..." 

 

Em seu jornalzinho, o segundo coloca em quarto lugar numa lista de dez propostas para São Paulo, o seguinte: "Mudar a matriz, investindo no transporte de massas sobre trilhos, promovendo o subsídio de tarifas rumo à tarifa-zero e desestimulando o uso do automóvel."

 

O terceiro, em oito páginas de panfleto, se descreve como o "vereador da Educação" e afirma que também tem "uma grande atuação em outras áreas como Transporte, Saúde, Segurança, Habitação, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Combate à Corrupção".

 

Bom, ainda não voto em São Paulo (nunca transferi meu título de eleitor). Se você vota e quer saber o que os candidatos a prefeito de São Paulo pensam sobre o trânsito na cidade, experimente o debate virtual do UOL Eleições.

 

Desci no ponto perto do meu trabalho às 13h em ponto. Uma hora e 17 minutos de trajeto. Muito por minha culpa, pois perdi um ônibus e peguei um ônibus errado.

 

Lições aprendidas, meu balanço desses cinco dias sem carro, no entanto, é positivo. Ganhei tempo em relação ao trajeto de carro nos quatro primeiros dias. Pude ler, o que nunca faço ao volante. Andando pelas ruas e fazendo uso do transporte público proporciona um contato maior com a realidade de uma grande parcela da população, o que considero bastante útil para um jornalista. Em dois dias da semana (quinta e sexta), saí muito tarde do trabalho e tive de recorrer ao táxi (não havia mais metrô em funcionamento).

 

Decidi que vou adotar o transporte coletivo pelo menos três vezes por semana. Espero que o atraso desta sexta não seja freqüente a ponto de me fazer mudar de idéia.

 

Agradeço a todos os internautas por seus comentários e pela leitura deste blog e às dicas preciosas das pessoas que colaboraram com a experiência.

 

Por Irineu Machado, zona sul

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: um balanço

Por cinco dias, não tive carro. De segunda a sexta (hoje), vim trabalhar de bicicleta, acompanhado de meu amigo e tutor Leandro (ontem, Aylan também nos acompanhou). À noite, voltamos juntos - algumas vezes acompanhados de outros voluntariosos ciclistas (João, Mig e Márcia). E a idéia era avaliar como eu me dava com a bicicleta, se valeria a pena encostar meu carro e passar a me locomover de bicicleta.


Ah, a ladeira...Resumindo esses cinco dias em números: pedalei por 55,89 quilômetros, em um total de 4 horas e 12 minutos... Média de velocidade: 13,25 km/h - muito longe de um Lance Armstrong, eu admito, mas velocidade não era uma meta.


(Foram 32 buzinadas, uma média de seis por dia, que não me incomodaram - eu as contei por diversão. Aliás, logo que eu saio de casa, após a primeira curva, tenho a maior subida do percurso. Hoje, enquanto eu pedalava fortemente, me esforçando para não ter que descer e empurrar a bicicleta - embora não haja demérito algum nisso, era apenas uma consquista pessoal -, um senhor que atravessava a rua a pé parou para ver o meu esforço. Quando, lasso e suado, terminei a subida ainda sobre a bicicleta, ele me disse: "Oba! Conseguiu!". Foram duas palavras e um sorriso que fizeram muito mais efeito em mim do que as 32 buzinadas anteriores somadas.)


Quanto às minhas conclusões... Vir de bicicleta, como moro perto do meu trabalho, demora mais do que vir de carro: 30 minutos em média, contra 25 minutos de ônibus (em um dia normal) e 20 minutos de carro (idem). Também cansa mais, especialmente na volta, ladeira acima até Perdizes.


Por outro lado: pedalar é muito mais saudável e divertido. Entre vir de carro ou de bicicleta, colocando à parte o inevitável gosto da novidade que sempre torna mais palatável o inédito ou quase inédito, prefiro vir de bicicleta.


Pedalar também é mais econômico. Uma vez que o capital inicial é investido (bicicleta, capacete, buzina, luz etc), em poucos meses esse dinheiro é alcançado pelas quantias que teriam sido gastas em estacionamentos e gasolina - sem falar em manutenção.


Entretanto... Entretanto nesta semana não choveu, não fui jogar bola (a quadra é longe!) e não tive programação extra (ir ao cinema, sair com a namorada etc.). Então, mesmo após cinco dias, ainda não pus à prova as dificuldades que posso encontrar quando (e se) estiver me locomovendo de bicicleta.


Estou dividido... mas tenho uma impressão e uma certeza.


A impressão que tenho é que vou acabar aderindo ao transporte por bicicleta, mas que preciso testar um pouco mais. Vivenciar mais algumas situações - um pneu furado, uma chuva, essas coisas...


A certeza é que, para mim, valeu muito a pena tentar.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Valeu pela experiência

Nestes cinco dias, percebi algumas coisas. Posso muito bem viver sem carro, por exemplo. Também aproveitei o prazer que as pequenas experiências oferecem, como conversar despretensiosamente com desconhecidos. E conheci partes da cidade na qual eu moro e que eu se quer sabia que existiam.

Como disse no post anterior, gastei por volta de R$ 65. Um valor alto, pois de gasolina gastaria cerca de R$ 45, fora o estacionamento mensal. Devido ao meu percurso, não valeria a pena eu andar de transporte público todos os dias. No total, pegaria ônibus cinco vezes ao dia e o metrô, duas vezes. Isso sem falar que meus horários são extremamente apertados em épocas sem blog do UOL.

Esta semana valeu muito a pena. Talvez quando acabar a faculdade e só tiver de trabalhar, andarei de transporte público.

Nesta minha despedida, quero agradecer todas as ajudas para fazer o melhor trajeto, todos os elogios dos internautas e também as críticas. Agradeço imensamente esta experiência que engrandeceu a minha vida e a minha carreira jornalística. Além disso, gostaria de parabenizar os meus colegas de trabalho pelos textos brilhantes.

Observação: nesta noite, voltarei de ônibus para casa!

Por Thays Almendra, zona leste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: agradecimentos

Esta semana-sem-carro-e-com-bicicleta teria sido outra sem o onipresente Leandro, meu tutor. De segunda a quinta, ele foi até a minha casa me escoltar até o UOL, me dando dicas de todo tipo (motoristas não dão setas; tá na hora de mudar a marcha; coloca um casaco para não passar frio) e, ainda por cima, me escoltando no retorno. É preciso ter muita paciência e muito amor ao hobby para fazer o que ele fez.
Fica aqui, então, meu muito obrigado.


Além disso, foi ele quem me emprestou a bicicleta, o capacete, as luvas e o protetor de canelas, que na verdade não protege diretamente, mas que reflete os faróis dos carros e, portanto, torna meu percurso mais seguro. Fica aqui, então, meu muito obrigado, Leandro - de novo.


Um abraço também ao fotógrafo Flávio Florido, que acompanhou quatro dos cinco blogueiros deste Blog do Especial de Trânsito - Cinco pessoas, cinco dias sem carro para clicar as fotos do álbum de Cinco pessoas, cinco dias sem carro.


Também agradeço aos ciclistas que não me conheciam, mas que me acompanharam, em uma grande demonstração de simpatia, em trechos do meu percurso: João, Mig, Aylons e Márcia. Muito obrigado.


E, claro, obrigado a você internauta, que acompanhou a experiência que meus colegas Gabriela, Thays, Alessandro e Irineu neste blog Blog do Especial de Trânsito - Cinco pessoas, cinco dias sem carro. Muitíssimo obrigado!

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 5: as cores de um marronzinho

Alguns posts atrás, contei aqui no blog que o operador de tráfego da CET é conhecido aqui em São Paulo como marronzinho. Aproveitei a perguntei a você, internauta, como o operador de tráfego é conhecido em sua cidade (ou Estado) e descobri que há um arco-íris de apelidos para os marronzinhos. Aqui estão os que nomes que vocês, internautas, me ensinaram (sei que ainda há mais nomes a aprender):

- em Recife-PR, eles são os homens de azul, azulzinhos ou periquitos azuis (obrigado, Juliana)
- em Curitiba-PR, são os periquitos, pelo uniforme verde e preto (obrigado, Allan e João Paulo)
- em São Paulo-SP, são os marimbondos (eu nunca tinha ouvido essa... obrigado, Frank)
- em Caçapava-SP, os marronzinhos são... marronzinhos, mesmo (obrigado, Celina)
- em Belo Horizonte-MG, são os chumbinhos (obrigado, Carlos Maciel)
- em Teresina-PI, são os azulzinhos (obrigado, Nilson)
- em Campinas-SP, são os amarelinhos (obrigado, Laura, Gabriel e André)
- em São Carlos-SP, também amarelinhos (obrigado, Rosangela)
- em Cuiabá-MT, também amarelinhos (obrigado, Marcelo)
- em Campo Grande-MS, também amarelinhos (obrigado, Luiz Fernando) - a cor amarelo recebe a medalha de ouro como a mais citada pelos internautas!

Por Pedro Cirne, zona oeste

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Último dia: primeiro dia acompanhada

Saí da Metodista ao 12h20 e encontrei o Flávio Florido, o editor de fotografia do UOL - assim começou a caminhada até o ponto, que fica a cinco minutos da faculdade.  Encontrei a Ana, uma menina da minha sala com quem converso pouquíssimo. Pois descobri que ela pega o mesmo ônibus que eu, o Metrô Saúde, e que há uma outra linha que vai para o meu destino. Ótimo.

Hoje meu ônibus passou após 15 minutos de espera. Entrei e o Florido começou a fotografar. Uma senhora me disse: "Olha, esse cara está filmando. Como assim?". Eu dei risada e expliquei que ele só tiraria foto de mim. As pessoas ficaram muito desconfiadas com a situação.

A viagem durou cerca de 40 minutos e novamente passei pelo Zoológico de São Paulo – desta vez já tinha me acostumado com o caminho. As árvores pareceram mais verdes do que ontem e também estava mais sol. Jamais perceberia isso se estivesse ao volante. Quase chegando, a Ana nos alertou para que descêssemos em um ponto anterior ao final.


Melhor, porque andei menos do que ontem e conversei mais com a Ana. Esta foi a minha única viagem acompanhada por um rosto conhecido. Despedi-me dela e acho que o percurso valeu algo. Conversei com uma pessoa com quem não trocava mais de duas palavras e descobri algumas coisas da vida dela. Ela trabalha e pega todos os dias aquele mesmo ônibus na ida e na volta desde o início da faculdade, há três anos e meio. Às vezes, estamos tão voltados para o nosso grupo de amigos que esquecemos as pessoas que estão ao redor. Elas podem te ajudar de alguma forma em algum momento de sua vida.

Peguei o metrô e fui para a estação Paraíso. O vagão estava vazio e as pessoas viam o Florido tirando as fotos. Até que um menino perguntou para a mãe: "Quem é essa menina?". Engraçado. Ao fazer a baldeação, o outro vagão lotou. Dessa vez, ninguém se importava com o Florido. 

Na estação Consolação, pegamos o ônibus bem rápido e não conseguimos sentar. Eu estava com muita coisa na mão e pela primeira vez na semana uma mulher segurou as minhas coisas. Uma atitude muito legal, porque a qualquer momento poderia perder o equilíbrio. E perdi. Quase caí em cima de uma menina. Gafe...

O meu último percurso demorou uma hora e 20 minutos. Para mim, passou mais rápido, mas o relógio não engana. Só na ida gastei R$ 7,60 e na volta gastaria mais R$ 7. No total da semana tive um gasto de por volta de R$ 65. Muito. Com o carro chego mais rápido e ainda economizo um pouco. Mas a experiência valeu, sobretudo pelas pequenas surpresas do dia-a-dia. 

Veja o álbum do meu trajeto de hoje.

Por Thays Almendra, zona leste

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A pé em Hollywood

Depois da visita à Pixar, nos colocaram em um avião de Oakland para Burbank, numa viagem que durou uma hora e meia. Eu e mais dois colegas dividimos um táxi até o hotel, na mesma North Highland, onde eu havia sido hospedado no início da viagem. Foi meia hora de trânsito e um congestionamento que começou no Hollywood Bowl e parecia não parar nunca mais. Um dos ocupantes do carro (um americano que vive na cidade) estranhou, já que não havia nenhuma apresentação digna de nota na famosa acústica de Los Angeles.

Chegamos às 20h. Após o check in, instalar-me no quarto e dar uma olhada no UOL, resolvi ir ao cinema - mais uma vez. Chequei o site do Arclight, o mesmo complexo que visitei na terça-feira à noite, e encontrei o que queria: "A Duquesa", com Keira Knightley. Ao descer, perguntei para um funcionário do hotel quanto tempo de caminhada até o cinema, na Sunset com a Vine Street. "São mais ou menos dez quarteirões", disse ele. "Mais ou menos uns 15 minutos de caminhada."


Se vocês bem se lembram, foi o que durou a minha viagem de ônibus até o mesmo local - descendo pela North Highland até a Sunset Boulevard e, depois, seguindo por essa mesma rua até a Vine Street (veja a reprodução na foto). Sem contar o tempo de espera nos dois pontos. No total foram mais ou menos 25 minutos. À guisa de maior segurança, perguntei ao mesmo funcionário o que ele achava melhor: fazer o mesmo caminho dos dois ônibus ou ir por outro? "Melhor ir pelo Hollywood Boulevard até a Vine Street e descer até a Sunset", respondeu ele.


Faz sentido, já que a Sunset, que antigamente era território de cafetões, prostitutas e gangues, não conseguiu apagar completamente sua má fama - especialmente durante à noite. Não que Hollywood Boulevard, onde ficam algumas casas noturnas, restaurantes, o Egyptian Theater e a sede da Cientologia, seja muito melhor. Mas há mais gente na rua e o policiamento é ostensivo. Só para constar, na minha caminhada ao longo da via, entre a ida e a volta, contei três viaturas diferentes e uma moto do LAPD fazendo ronda - uma das equipes, aliás, havia detido um homem para averiguação, próximo da entrada de uma casa noturna.


Dez quarteirões em São Paulo são muito diferentes de dez quarteirões em Los Angeles, onde os blocos são como retângulos, extensos na largura e curtos nas extremidades. O Google Maps calcula o caminho que fiz em 1,1 milha ou 1,7 quilômetro. E dá como tempo para percorrer à pé esse trajeto 22 minutos. Na ida, talvez preocupado em não perder o horário da sessão, às 22h05, demorei 20 minutos para chegar. Fui despreocupado, já que ainda estava cedo e ainda havia muitos turistas e famílias passeando na rua cravejada de estrelas com nomes de personalidades do cinema como o diretor inglês Dick Powell, a atriz Jane Russell, o mago da animação Walt Disney.


Depois de assistir ao filme, que é muito bom e está no Festival do Rio e estará também na Mostra de São Paulo, chequei a hora - 23h - e por um momento quase cedi à tentação de pegar um táxi. Mas a minha consciência, já baleada por uma entrada em cena meio claudicante e por comentários rabugentos sobre os meus posts, resolvi respirara fundo e ir em frente - pelo mesmo caminho, claro, já que não sou nenhum aventureiro.


Essa volta foi um pouco mais tensa, tanto pelo adiantado da hora, como pela freqüência das ruas quanto pela movimentação dos policiais. A subida pela Vine, nem tanto. Mas a Hollywood Boulevard exigia um pouco mais de atenção - o que para alguém que vive em São Paulo, convenhamos, não é nada. Havia filas grandes nas casas noturnas, algumas bem barulhentas e tomando a calçada inteira. Grupos de "manos" americanos e latinos se juntavam nas esquinas, uns cantando rap e outros com a sofisticação de um teclado ou outro instrumento musical. Os sem teto estavam revirando as latas de lixo. E muitos casais e grupos de amigos estavam se dirigindo para as mesmas casas noturnas de que falei.


(Cheguei no hotel às 23h26, cansado e aliviado. Parei por um minuto na portaria do hotel e logo subi para escrever o post sobre a Pixar e pensar nesse que acabo de escrever.)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Um futuro sem carro?

Uma semana sem carro rendeu: cinco viagens de ônibus, três caronas de carro e uma boa caminhada (ou 26 quarteirões) a pé. Isso me custou R$ 13,80. Pensando apenas no trajeto casa-trabalho e trabalho-casa, em uma semana de carro gasto cerca de R$ 12,00 de gasolina - a distância é 6 km, meu carro faz 12 km/litro e pago cerca de R$ 2,40 o litro - e R$ 23,75 com estacionamento - minha vaga de mensalista custa R$ 95,00. No total são R$ 35,75 por semana, sem contabilizar seguro, IPVA e gastos com manutenção (carro, de fato, parece um filho gastão).


Passando a régua, a economia foi de R$ 21,95. Mesmo sem a sorte das minhas caronas, eu ainda teria economizado R$ 15,05 se usasse o ônibus todos os dias.


Tenho também mais dois pontos a favor: moro em um bairro bem localizado na zona oeste, com transporte público para toda a cidade, e meu horário de trabalho não coincide com o "rush". Já peguei transporte público nesses horários e sei que alguns privilégios, como sentar, são inexistentes.


Outra vantagem descobri na quarta-feira: é possível depender exclusivamente das minhas pernas para chegar ao trabalho.


Bom, dirá você, a resposta só pode ser uma então: abandonar o carro para sempre. Pode ser, mas ainda tenho algumas pendências. Por exemplo, quando saio muito tarde do trabalho e tenho que andar até a rua Teodoro Sampaio - onde fica o ponto do ônibus que me leva para casa - passo por trechos com pouco movimento. Ou quando, eventualmente, tenho que fazer plantão no final de semana a partir das 7h, o número de ônibus nas ruas é reduzido.    


Minha conclusão é: com a minha rotina, dá sim para depender só de transporte público nos dias de semana. Vou tentar tirar o carro da garagem apenas quando eu souber que o horário no trabalho vai ser alterado. E o uso do automóvel fica liberado nos finais de semana, já que minha programação é mais imprevisível. 


Testarei esse plano no próximo mês antes de tomar uma decisão definitiva, afinal uma semana só foi fácil...

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Nova linha, novo tempo

Não sei se vocês lembram, mas na terça-feira eu tinha perguntado ao cobrador do meu ônibus se havia uma outra linha que passava no bairro e atravessava a avenida Faria Lima, onde fica o UOL. Pois bem, ela existe sim - como meu colega tinha dito - e hoje, sexta, resolvi testá-la.


A linha 856R Socorro não passa naquele ponto perto de casa, então tive que andar um quarteirão e meio a mais, mas isso demorou só quatro minutos. Sai de casa às 11h48 - lembrem que trabalho das 13h às 21h, e sim, sei que sou uma privilegiada de não ter que enfrentar os horários de pico. O ponto fica atrás do hospital São Camilo e na frente de um estacionamento, ou seja, um entra e sai constante de manobristas e carros.


O ônibus que eu peguei hoje estava bem novinho e era adaptado para deficientes físicosO ônibus chegou em seis minutos. Este foi o maior tempo que esperei pelo transporte nesta semana, ou seja, o tempo de espera definitivamente não foi um problema ao abandonar o carro. Sim, sei que também sou privilegiada de morar em um bairro bem localizado de São Paulo e, portanto, com um serviço de transporte público eficiente.   


Quando entrei no ônibus reparei que ele era bem novinho e adaptado para portadores de deficiência física. Perguntei para o cobrador com que freqüência os deficientes usavam aquele ônibus. "Tem dias que tem um ou dois, mas às vezes não tem nenhum". Deve ser por causa do hospital, pergunto eu. "Também, mas alguns estão só passeando mesmo". Liguei na Secretaria Municipal dos Transportes e eles me informaram que, dos 14.982 ônibus e micrônibus que circulam pela cidade, 2.767 são adaptados. Todas as linhas têm, pelo menos, um veículo assim, mas uma linha em especial (a 675L Terminal Santo Amaro/Metrô Santa Cruz) tem todos os ônibus com adaptação. Isso porque a linha passa pela AACD, pelo Hospital São Paulo e pelo complexo hospital da Vila Clementina. 


O trajeto deste ônibus foi semelhante ao da outra linha que eu pegava e demorou só um minuto a mais. Como eu parei no ponto em frente ao UOL, de novo, economizei 10 minutos de caminhada do Largo da Batata até aqui. Foram, no total, cerca de 35 minutos de casa ao trabalho. Fui almoçar às 12h25 e comecei o expediente já alimentada.

Por Gabriela Sylos, zona oeste

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Duas ou três coisas legais sobre a Pixar

Há duas outrês coisas legais sobre a Pixar que valem a pena ser escritas aqui neste blog do Especial de Trânsito. Sediado em Oakland, uma cidade da Califórnia que fica a uma hora e meia de avião de Los Angeles, o estúdio de John Lasseter que revolucionou a animação digital com filmes como Toy Story 1 e 2, "Monstros S.A.", "Carros" e "Os Incríveis" adota uma política de trabalho muito interessante.

O ambiente, um prédio que se parece muito com um grande armazém, tem um grande lobby cheio de resturantes, cafés, uma sala de jogos e até uma lojinha onde se podem comprar bugingangas com o selo da casa. Nesse mesmo ambiente, há várias mesas e salas de estar que podem ser ocupadas a qualquer momento por funcionários ou visitantes. Adrienne Ranft, funcionária do estúdio, explica que a empresa estimula o contato humano - nada de memorandos, e-mails ou ferramentas de comunicação online. O que vale, ali, é o olho no olho.

Como o local é grande, os funcionários podem usar bicicletas ou patinetes para ir de um lugar ao outro - a construção é amigável para esse tipo de transporte. De fato, enquanto estava esperando por uma entrevista com Guilherme Jacinto, animador brasileiro que trabalhou em "Wall-E" e hoje está no projeto de "Up", primeira animação em 3D do estúdio, uma funcionária apareceu no lobby à bordo de um patinete para pegar o almoço em um dos restaurantes.

Adrienne contou também que no prédio há uma sala de massagens e uma pequena academia. Nas áreas comuns, fora do prédio, muito verde, uma piscina e um campo de... futebol - sim, os funcionários podem usar o tempo livre para nadar ou jogar bola. "Na semana passada, alguns visitantes estavam aqui quando, por acaso, havia um jogo de futebol acontecendo e muitos funcionários estavam usando a piscina", contou ela. "Um desses convidados me perguntou se em algum momento se trabalhava por aqui!" Estimular os funcionários dessa forma também está entre as condições necessárias para que se crie uma política ambiental consistente.

(Escrito depois de andar dez quarteirões do hotel onde estou, em North Hollywood com Hollywood Boulevard, até o cinema, o mesmo Arclight onde fui de ônibus na terça-feira, na Sunset Boulevard com a Vine Street. Foram 15 minutos para ir - às 21h - e 20 para voltar - às 23h. Mas isso eu conto amanhã)

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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Cineminha em Hollywood, de ônibus

Passei quase um dia inteiro sem postar, mas foi por uma boa razão: por causa da agenda apertada, não tive tempo de "não usar o carro". Passei um dia inteiro internado no Kodak Theater (aquele dos Oscar), assistindo a uma apresentação da Disney - confira em UOL Cinema ou UOL Jovem! - e depois me enfiaram em um avião para Oakland, onde estou agora, para uma visita à Pixar.

A não ser uma única vez, na terça à noite, quando fui assistir a "Ghost Town", comédia romântica americana estrelada pelo comediante britânico Ricky Gervais, no Arclight, um multiplex que fica no Hollywood Boulevard com a Vine Street, a uma milha do meu hotel, localizado em North Highland. São 21 minutos a pé, segundo o Google Maps. Ou dois ônibus para ir e mais dois para voltar. A passagem de ônibus aqui custa U$ 1,25 e dura o tempo de uma viagem. Ou seja, ida e volta custaria US$ 5. Nesse caso, a melhor opção é o Day Pass, que custa US$ 3 e dura das 10h da manhã do dia até às 10h da manhã do dia seguinte. Detalhe, tem que estar com a grana contada, pois não há troco nem restituição.

Assim, peguei o 268 na esquina da North Highland com Hollywood Boulevard desci no ponto da esquina com a Sunset Boulevard e segui em direção à Vine Street no 181. Em geral, os pontos são funcionais e trazem bastante informação para o passageiro - rota, freqüência e outras coisas. Como a maior parte dos usuários vem das classes pouco favorecidas e é oriundo de minorias étnicas - os latinos liderando -, quase tudo, inclusive propagandas, está escrito ou indicado em duas línguas.

Por ser noite, não consegui tirar fotos decentes. Mas tentarei fazer isso na luz do dia, assim que tiver tempo livre - com as provas cabais (as passagens) de que peguei ônibus. Foram 15 minutos, excluindo a espera, de viagem. Na volta, a freqüência diminui bastante, mas os coletivos aparecem sim. É seguro, mas não custa nada ficar de olhos bem abertos.

A propósito, "Ghost Town" é mediano. O Ricky Gervais, que criou o seriado "The Office", depois adaptado para o público americano, faz o papel de um dentista completamente fechado, um cara cheio de manias que não gosta muito de gente. E um dia, depois de quase morrer em uma operação de redução de estômago, passa a ver fantasmas. Um deles, o personagem do comediante X, pede que Gervais ajude a ex-mulher, interpretada por Téa Leoni, a se livrar de um suposto aproveitador. O resto, como você pode bem perceber, é muito previsível.

(Escrito entre ume entrevista e outra na Pixar, em Oakland, onde falei com o pessoal que trabalhou em "Wall-E")

Por Alessandro Giannini, Los Angeles

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25/09/2008

Com trilha sonora, o melhor tempo

Hoje, bati um recorde.

 

O relógio-termômetro de rua que fica em frente ao meu prédio marcava 11h em ponto quando eu atravessei a rua rumo à estação de metrô. Dia ensolarado, sem calor, nenhum sinal de estresse nos motoristas que passavam pela rua Vergueiro. Será que nos dias anteriores a calmaria era a mesma e eu tive uma percepção diferente? Ou estaria eu influenciado pela trilha sonora especialmente selecionada? Neste quarto dia sem carro, fiz algo que nos dias anteriores vi muita gente fazendo no ônibus e no metrô: ouvir música durante todo o trajeto.

 

Desvantagens: é necessário atenção redobrada. Música distrai. Se alguém chama, talvez não seja possível ouvir. Quando ouço música, em geral, é com volume elevado. Também deve fazer mal aos tímpanos, principalmente com esses fones de ouvido. Quando entrei no vagão do metrô, já ouvindo música com volume bem alto, bastou o trem começar a andar que tive a sensação de que alguém reduziu o volume do meu aparelho. Aumentei, aumentei, aumentei, e consegui fazer com que a música suplantasse o ruído do trem em movimento.

 

Quando saí do metrô, na avenida Paulista, notei que o volume estava bem exagerado. Fiquei curioso para saber qual o nível de ruído no interior do metrô. Aqui, na redação, pedimos informações sobre isso à Companhia do Metropolitano de São Paulo. Estamos aguardando informações. Nem sei se é muito ou se é pouco esse nível de ruído. Mera curiosidade. Aviões são muito mais barulhentos.

 

A caminhada até a rua da Consolação também é muito mais agradável com música. Dependendo do que se está ouvindo, há até uma torcida inconsciente para que o trajeto seja mais demorado. Mas o ônibus não demorou a chegar. Peguei o da linha 771P/10 (Jd. João XXIII). Ouvindo música, a sensação é de que tudo passa mais rápido.

 

Sensação de rapidez? Cheguei ao ponto da Rebouças com a Faria Lima exatamente às 11h33. Trinta e três minutos! Novo recorde de rapidez no trajeto até o UOL. E pensar que abasteci o mp3 player com 1 hora e 2 minutos de música, 14 canções. Ouça uma delas, na Rádio UOL 

Não vou revelar a playlist completa. Prefiro que os internautas comentem e dêem sugestões de música para ouvir no transporte coletivo. Alguma dica?

Por Irineu Machado, zona sul

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Fui parar no zoológico

Hoje fui para a faculdade, assisti à aula, fiz uma entrevista e almocei. O dia já era turbulento e eu sabia que a minha jornada só estava começando. Eram 12h40 e eu andava rumo ao ponto para pegar o ônibus “Metrô Saúde”, como tinham me indicado. Esperei cinco minutos e ele passou. Logo de cara, me deparei com o valor da tarifa do ônibus de R$ 2,90, parei e pensei: “Este deve rodar o mundo”.

Realmente rodou. Para se ter uma idéia, passei pelo bairro Taboão, em São Bernardo, Diadema e umas estradinhas cheias de árvores por todos os lados. Comecei a ficar tensa, muito tensa. Por alguns instantes, tive a sensação de ter tomado o ônibus errado... De repente, vi o zoológico. Não sabia que esse era o caminho. Comecei a tremer, primeiro, porque ia chegar atrasada no trabalho. Depois, por não fazer a menor idéia de como voltar de lá se estivesse perdida. Levantei e perguntei ao motorista se realmente aquele ônibus iria para o metrô Saúde. Ele me respondeu que sim. Ufa.

Depois de 20 minutos do ocorrido, cheguei ao metrô. E, como é de praxe, fiz uma baldeação do Paraíso para a Consolação. Chegando à avenida Paulista, fui pegar mais um ônibus. Dei o sinal e o motorista não parou. O farol fechou e mesmo assim ele não abriu a porta. Fiquei indignada: estava no ponto dei o sinal corretamente e ônibus não parou. Além de ficar na minha frente no trânsito e mesmo após eu bater na porta, ele não abriu. Como pode? Acredito que isso acontece com boa parte das pessoas que usam o transporte público. Um fato lamentável, pois todos nós estamos cansados e estressados. E nada justifica uma atitude dessas.

Depois disso, o motorista de um ônibus que estava atrás desse me chamou e abriu a porta, me sinalizando para entrar. Sorte que passava pela avenida Rebouças. Enquanto agradecia, o cobrador me contou que o motorista que não deixou eu entrar faz isso com metade dos passageiros. Pensei comigo: “Nada profissional.”

Parei no meu ponto de destino, atravessei a rua e o farol de pedestres fechou quando eu ia atravessar a próxima. Do nada, uma mulher atravessou correndo e caiu no chão. Um ônibus vinha na direção dela. Imaginem... Ela quase foi atropelada. Todos ao redor gritavam. Por sorte ela não se machucou. Acredito que se os pedestres também fizessem a sua parte menos acidentes aconteceriam. A mulher foi imprudente e o ônibus estava correto.

Após tanta turbulência, cheguei no UOL. Hoje posso falar que foi o dia mais tenso da semana. Acho que senti na pele como é a vida de pedestre. Dentro do primeiro ônibus fiquei quase 50 minuntos, no metrô uns 20 e no ônibus seguinte mais 10 minutos. No total, o trajeto foi de 1h20. Pouco, diante do que suei.

Por Thays Almendra, zona leste

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Bicicleta como meio de transporte, dia 4: meu caro marronzinho da CET, o que eu posso e o que não posso fazer?

Após três dias encarando ladeiras de bicicleta, estou ficando mais à vontade com meu pedal. Fico menos preocupado em cair e tento prestar mais atenção ao meu redor. E isso se reflete nas três conversas que tive hoje, a caminho do UOL: a dona Maria Lúcia, 66 anos (20 deles sobre duas rodas); o vendedor ambulante; e o marronzinho.


Conversa com dona Maria Lúcia

A simpática dona Maria Lúcia...cheguei atrasado para a conversa. Saí correndo de casa para não chegar atrasado aqui no UOL e, quando vi, Leandro e a simpática dona Maria Lúcia, 66 anos, contando que pedala desde 1988, que mora em Perdizes (mesmo bairro que eu), que encara ladeiras acima e abaixo numa boa (confesso que fiquei impressionado) e que a bicicleta dela tem uma só marcha, diferente da bicicleta que me emprestaram, que tem mais marchas do que a Hidra de Lerna tem cabeças.


Tivemos que sair pedalando apressadamente para que eu não chegasse atrasado aqui, mas como dona Maria Lúcia e eu somos do mesmo bairro, acho que ainda nos encontraremos para continuar o papo.


Conversa com o vendedor ambulante
Leandro (meu tutor), Aylons (amigo dele, que simpaticamente se ofereceu para ajudar na minha "escolta" hoje) e eu estávamos parados em um semáforo na rua Atlântica, esperando para cruzar a avenida Brasil, quando fomos abordados por um vendedor ambulante de flanelas. Muito simpático, ele chegou falando alto conosco:


Vendedor - Três carros a menos, hein?


Eu - Sim!


Vendedor - Vocês não vão acreditar, mas conheci um cara que veio de bicicleta do Peru até o Brasil!


Eu - ...e como você descobriu que ele vinha de tão longe?


Vendedor - Pelas mochilas, e pelo fato de a bicicleta dele ter umas bandeiras penduradas. Uma figura, o cara...


Eu tinha mais perguntas, mas o semáforo, este eterno interruptivo de diálogos imortalizado por Paulinho da Viola em "Sinal Fechado", abriu e nós seguimos.


Conversa com o marronzinho

A poucos metros do UOL, encontrei dois marrozinhos da CET fiscalizando a esquinda das avenidas Rebouças e Brigadeiro Faria Lima. Marrozinho, como bem explica o site da CET, é o apelido dos operadores de tráfego aqui em São Paulo - não sei que apelidos eles têm em outras cidades, e agradeço se algum internauta me ensinar.


Enfim, me aproximei dele e perguntei:


Eu - Oi, estou começando a pedalar por São Paulo, você sabe dizer o que posso e o que não posso fazer?


Marronzinho - Pedale pela rua, lugar de bicicleta não é na calçada...


Eu - Faço isso desde o primeiro dia, mas um caminhão quase atropelou meu amigo na segunda-feira e ainda nos mandou pedalar na calçada...


Marronzinho - Ele está errado. E eu vejo assim: o irmão maior tem que cuidar do irmão menor. Ele, o caminhão, tem que tomar cuidado com os menores.


Eu - E o que eu não posso fazer? Quando eu estou errado e posso, em tese, ser multado?


Marronzinho - Nós não olhamos para bicicletas, apenas para os carros.


Eu - Mas não há leis sobre isso? Por exemplo, me disseram que um carro deve manter 1,5 metro de distância de uma bicicleta. E se ele desrespeitar isso? Pode ser multado?


Marronzinho - Essa distância de 1,5 metro deve ser mantida de qualquer veículo, inclusive de bicicletas. Mas na verdade, ele não pode ser multado. É uma lei, mas eu não poderia multá-lo nem se quisesse. Não há nem mesmo talão para isso.


Eu - Não?


Marronzinho - Não. Você pode processá-lo se sentir prejudicado, mas ele não será multado.


Eu - E você tem alguma dica para mim, enquanto ciclista urbano que está começando?


Marronzinho - Tome cuidado.


Depois, fui consultor o site da CET de São Paulo (http://www.cetsp.com.br/). Procurei nas seções "As dúvidas mais frequentes da população sobre fiscalização, multas, valores..." e "Resumo das infrações do Código de Trânsito", além de uma olhada por cima em outras seções. Não achei menção alguma a "bicicleta", "ciclista" ou "bike". Deve estar em algum lugar, mas ainda não achei. Mais tarde, tento de novo.


Simplificar uma conversa é difícil, pois tira alguns detalhes (o gesticular das mãos, as entonações e o irreproduzível brilho no olhar de quem fala de uma paixão), mas vou tentar resumir o que aprendi os três diálogos:


Dona Maria Lúcia: idade e ladeiras, somados, não intimidam um ciclista motivado.

Vendedor: se um cara veio de Lima a São Paulo de bicicleta, acho que a distância também não intimida um ciclista motivado. É longe, mas uma hora, chegamos lá.

Marronzinho: tomar cuidado.

Por Pedro Cirne, zona oeste

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A idéia

Na semana em que é comemorado o Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro), uma equipe de jornalistas do UOL que costuma usar carro diariamente abrirá mão de seus veículos para observar e comparar as vantagens e desvantagens de viver no dia-a-dia usando transporte coletivo, bicicleta ou outros meios alternativos para se locomover. Diariamente, até sexta-feira, as impressões dos cinco jornalistas serão publicadas neste blog.

Gabriela Sylos Gabriela Sylos
Zona oeste, Pompéia
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Irineu Machado Irineu Machado
Zona sul, Vila Mariana
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Pedro Cirne Pedro Cirne
Zona oeste, Perdizes
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Thays Almendra Thays Almendra
Zona leste, Tatuapé
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Alessandro Giannini Alessandro Giannini
Los Angeles, EUA
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